sábado, 14 de março de 2009

ELAS


Mergulho nos olhos verdes faceiros e instigantes de uma. Olhos de quem implora por aventura e novidade a cada respiro.
Me perco na brancura láctea da tez macia e consistente da outra. Pele de papel, delicada, que implora por amor.
Me envolvo por inteiro no sorriso matreiro de uma e me arrepio de emoção com o olhar compreensivo e consternador da outra.
Uma me eletriza.
A outra me acalma.
Uma é a minha loucura, a outra, é a minha lucidez.
Uma quer sexo e amor. A outra quer amor e sexo.
Uma gargalha, a outra sorri.
Uma fala, depois pensa. A outra pensa, depois fala.
Uma tem mistério, a outra é um mistério.
Uma, fuma, a outra, também.
Devaneio entre os seios de uma e da outra. São dois pares. Quatro divinas tetas.
Uma tem a aura rosa, a outra tem a aura prata.
Uma brinca de ser adulta, a outra leva a sério a brincadeira.
Uma quer ser mais responsável, a outra quer ser menos.
Uma prefere comédia, a outra romance.
Uma apareceu logo depois da outra. Fizeram a maior farra. Bagunçaram tudo. Mostraram uma nova perspectiva e agora saem de cena.
Como tudo que é bom dura pouco, uma vai embora junto com a outra.
Em breve, daqui a alguns dias, estarei só novamente, sem uma, nem a outra.
Nunca, talvez seja tempo demais, mas por um longo período não terei mais os olhos verdes daquela uma, nem a pele de papel daquela outra.
Não mais os mistérios, o sorriso matreiro, a fumaça dos cigarros como nuvens passageiros flutuando no ar.
Ambas começam a trilhar um novo caminho.
Que seja doce e que continuem assim, sendo uma em duas, completando-se mutuamente, misturando seus defeitos e suas qualidades.
Uma boa dose de loucura com uma porção generosa de lucidez.
Brincando de ser sérias e sendo sérias de brincadeira.
Pra que nunca deixem de ser, simplesmente ELAS.


quinta-feira, 5 de março de 2009

3 MÚSICAS

Uma de minhas grandes paixões além de ler/escrever e cinema é a música. Ouvir música, apreciá-la em todas as suas diversas formas. E quem não gosta de música põe o dedo aqui.
Acredito que seja uma paixão universal. Música é uma unanimidade, muda-se os gêneros, o efeito que provoca em cada um, mas a palavra que resume tudo o que a música representa pro ser-humano é uma só: emoção.
E em mim, ela já fez grandes revoluções. Embalou grandes amores, grandes decepções, momentos alegres, dolorosos, de silêncio, reflexão...
Clássica, sertaneja (da qual não gosto nuito), mpb, pagode (que apenas suporto), rock, pop, jazz, blues, internacionais, bossa-nova, samba, chorinho, axé. Cada um tem seu estilo, a música tem todos.
Hoje quero falar sobre 3 músicas, que me marcaram de forma especial ou mexeram comigo de alguma maneira profunda.
São músicas de épocas diferentes.
A primeira vive seu auge atualmente. É uma música baiana, dançante, cheia de energia e contagiante. Quando a escuto, não consigo me conter, é como se um espírito tomasse conta de mim, o espírito da alegria, explosiva, fantástica e inabalável. Na balada, quando toca, depois de me esvair em suor e gritos ensurdecedores, não preciso de mais nada, a festa se completa e já posso ir embora feliz, com o corpo molhado e a alma lavada.
Mérito para a arretada e simpática baianinha Cláudia Leitte que esse ano roubou o verão pra ela com seu hit EXTRAVASA, a música que mais mexe comigo atualmente.

Segue a letra:

Exttravasa

Babado Novo
Composição: Claudia Leite / Casulo

Dominou geral/Sacudiu a praça/Venha que o som é massa
Rock de timbau/Groove de cabaça/E a galera embala...(2x)
Uh!Tem que ter!/Bola na rede Prá dizer que é gol/Vem dizer!/A todo mundo Que no nosso amor
Tem que ter!/Uma balada Prá gente dançar Ah! Ah!
Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Eu quero ser feliz Antes de mais nada
Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Ar, ar, ar, ar, ar, ar...(2x)
Dominou geral/Sacudiu a praça/Venha que o som é massa
Rock de timbau/Groove de cabaça/E a galera embala...
Tem que ter!/Bola na rede Prá dizer que é gol/Vem dizer!/A todo mundo Que no nosso amor
Tem que ter!/Uma balada Prá gente dançar Ah! Ah!
Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Eu quero ser feliz Antes de mais nada
Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Ar, ar, ar, ar, ar, ar...(2x)
"O entusiasmo no movimento/A atividade na balada/Mais veloz que o vento
Cheio dito na idéia/Do meu papo reto/Aumente o som e dance
Quando tiver por perto/Chega de problema/Quero solução Oh!
De boca na boca!/Escute a voz Que vem do coração/Radicalizando/Mas com limite
Hoje é dia de extravasar/Meu irmão!
"Tem que ter!/Bola na rede Prá dizer que é gol/Vem dizer!/A todo mundoQue no nosso amor
Tem que ter!/Uma balada Prá gente dançar Ah!
Não! Não! Não! Não!/Extravasa/Libera e joga tudo pro ar
Eu quero ser feliz Antes de mais nada/Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Ar, ar, ar, ar, ar,
ar...
Extravasa/Libera e joga tudo pro ar/Eu quero ser feliz/Ser feliz, ser feliz
Extravasa Hê! Hê!/Libera e joga tudo pro ar/Pro ar! Pro ar!

A segunda canção é uma verdadeira poesia, terna, doce e triste.
Do álbum Essa boneca tem manual de Vanessa da Mata, lançado em 2004 e adquirido por mim em 2006. MÚSICA é o nome da canção.
Um lamento, uma despedida, um amor que chegou ao fim.
O meu amor, naquela época, era platônico e não correspondido. Vanessa com sua voz mágica e aveludada, embalou esse sentimento tão especial, que até hoje me trás recordações apaixonadas.
MÚSICA, sempre me arranca lágrimas, ou melhor, não arranca, tira-as de mim suavemente com a mesma delicadeza de rosas despetalando-se.

Segue a letra da poesia, quer dizer, da canção:

Música

Vanessa Da Mata
Composição: Liminha / Vanessa da Mata

Nosso sonho/Se perdeu no fio da vida/E eu vou embora/Sem mais feridas/Sem despedidas
Eu quero ver o mar/Eu quero ver o mar/Eu quero ver o mar/Eu quero ver o mar
Se voltar desejos/Ou se eles foram mesmo/Lembre da nossa música/Música
Se lembrar dos tempos/Dos nossos momentos/Lembre da nossa música/Música
Nossas juras de amor/Já desbotadas/Nossos beijos de outrora/Foram guardados
Nosso mais belo plano/Desperdiçado/Nossa graça e vontade/Derretem na chuva
Se voltar desejos/Ou se eles foram mesmo/Lembre da nossa música/Música
Se lembrar dos tempos/Dos nossos momentos/Lembre da nossa música/Música
Um costume de nós/Fica agarrado/As lembranças, os cheiros/Dilacerados
Nossa bela história/Tá no passado/O amor que me tinhas/Era pouco e se acabou
Se voltar desejos/Ou se eles foram mesmo/Lembre da nossa música/Música
Se lembrar dos tempos/Dos nossos momentos/Lembre da nossa música/Música.

ONDE VOCÊ MORA? é a terceira música. Um pouquinho mais antiga que as outras, o hit é de 1994. Sucesso com a banda Cidade Negra, liderada pelo vocalista Toni Garrido, a canção de Marisa Monte e Nando Reis foi uma febre no Brasil inteiro. Embalou romances, namoros e "ficadas".
Foi marcante pra mim, porque aos treze vivia as descobertas típicas da idade e ninguém pode negar que muitas vezes são descobertas difíceis, decepcionantes, mas deliciosas, e essa música me acompanhou por um bom tempo, por muitas descobertas, muitos delírios e sonhos adolescentes.

Segue a letra:

Onde Você Mora?

Cidade Negra
Composição: Nando Reis / Marisa Monte

Amor igual ao teu/Eu nunca mais terei/Amor que eu nunca vi igual/Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete
Amor igual ao teu/Eu nunca mais terei/Amor que eu nunca vi igual/Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete/Amor...
Cê vai chegar em casa/Eu quero abrir a porta/Aonde você mora?/Aonde você foi morar?
Aonde foi?/Não quero estar de fora/Aonde esta você?/Eu tive que ir embora/Mesmo querendo ficar
Agora eu sei/Eu sei que eu fui embora/Agora eu quero você/De volta pra mim
Amor igual ao teu/Eu nunca mais terei/Amor que eu nunca vi igual/Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete
Amor igual ao teu/Eu nunca mais terei/Amor que eu nunca vi igual/Que eu nunca mais verei
Amor que não se pede/Amor que não se mede/Que não se repete
Cê vai chegar em casa/Eu quero abrir a porta/Aonde você mora?/Aonde você foi morar?
Aonde foi?/Não quero estar de fora/Aonde esta você?
Eu tive que ir embora/Mesmo querendo ficar/Agora eu sei
Eu sei que eu fui embora/Agora eu quero você/De volta pra mim
Amor igual ao teu/Eu nunca mais terei/Amor que eu nunca vi igual/Que eu nunca mais, nunca mais terei.

Um pouquinho de mim, através de algumas músicas marcantes e inesquecíveis.
Músicas que falam por mim e contam um pouquinho de cada momento desse livro, que ainda não terminei, chamado MINHA VIDA.






segunda-feira, 2 de março de 2009

O PASSADO


Andei refletindo sobre uma afirmação que ouvi a poucos dias atrás e cheguei a conclusão que essa afirmação renderia um belo post pra quem gosta de refletir e divagar sobre a vida e suas infindáveis nuances.
Amor, ódio, tristeza, vingança, derrota, paixões, inveja, fracasso, vitória, realizações, desejos, anseios, saudade, alegrias, etc e tal...
Qual o segredo da felicidade?
Eis a frase que mexeu tanto comigo: " Quando se fica preso ao passado você não consegue ser feliz." E eu completo... "mesmo que esse passado tenha sido repleto de felicidade."
Imediatamente descobri qual o segredo da minha (in)felicidade.
A resposta que eu procurei por tantos anos, desvelada ali por uma atriz do seriado MALHAÇÃO, ao dar uma entrevista num programa vespertino da emissora em que trabalha. Simples assim e inesperado como um soco na boca do estômago.
A atriz explicava o rancor e a amargura que impediam sua personagem de ser generosa e feliz, apesar de muito rica. Tudo extremamente clichê, mas mesmo depois de tantas histórinhas clichês como esta em seriados, novelas, peças e filmes, só agora pude entender. Porque agora é o meu momento de enterrar o passado e tentar ser feliz de novo. Reconstruir pedaço por pedaço de uma vida feliz que desmantelou-se no caminho, esses caminhos tortuosos que o destino nos impõe. Quem já não caminhou por eles?
Deixe o passado num cantinho de sua preferência, mas bem escondido ou jogue-o fora de uma vez por todas.
Esqueça o futuro, ele ainda não existe e se você projetar todas as suas expectativas e promessas de felicidade nele vai ganhar apenas muitas rugas à mais e uma frustração insuportável.
Viva da melhor maneira que puder e agradeça o presente todos os dias, pois ele nada mais é que exatamente isso, um presente que deve ser desembrulhado e apreciado diariamente com muito carinho e paixão. Nem sempre ele é do jeito que a gente queria, mas é por isso que ganhamos novamente dia após dia, novinho em folha.
Os mais nostálgicos talvez se revoltem com a ideia de colocar o passado no seu devido lugar, um lugar onde ele não possa interferir no presente. Talvez pareça insensível e radical demais a ideia de enterrar o passado bem fundo em nossas lembranças, para que ele não se aposse do agora impedindo-nos de sentir os mais intensos prazeres aqui, nesse momento.
Não sou mais um poeta delirante, nem um louco alucinado, muito menos um sonhador amargurado. Um poeta talvez, um louco quem sabe, um sonhador com certeza, mas acima de tudo um ser que acreditou na utopia de amores perfeitos, amizades inabaláveis, reencontros mágicos e saudades curáveis.
Ficar preso ao passado durante longo tempo me fez acreditar nessas doces e etéreas fantasias e correr atrás de um ideal inexistente, ou pior, esperar, como quem sofre de inanição espera por um pedaço de pão, pelos amores e as amizades que existiram no passado, esperar que ressurgissem no presente tal e qual foram um dia.
Idealizar um presente com as cinzas dos momentos felizes que ficaram pra trás, me deixou obtuso à realidade da minha vida durante muitos anos, sempre buscando e acreditando que um dia o passado se faria presente novamente e aí sim eu conseguiria ser feliz de novo.
Perdi muito tempo procurando em Maria, o jeito fascinante de dançar de Joana, em Pedro, o sorriso escancarado de José, em João, a timidez meiga de Antonio, em Clara, o alto astral contagiante de Marisa e acabei não me dando conta de que tanto Maria, quanto Pedro, João e Clara tinham outras qualidades tanto ou mais encantadoras que Joana, José, Antonio e Marisa.
Uma infelicidade atroz consumiu, pouco a pouco, um coração sedento por um reencontro mágico, que jamais acontecerá.
Descobrindo enfim, que esta infelicidade está diretamente atrelado as algemas que voluntariamente me prendiam ao passado, que foi lindo, porém atualmente tornou-se torturante, entendo finalmente que saudade não tem cura, se parou de doer é porque já não existe mais e livre dela, liberta-se também do passado.
Não quero de jeito nenhum jogar meu passado fora, é um passado do qual me orgulho e que me emociona muito, porém quero guardá-lo profundamente, escondê-lo com todo o cuidado, para que venha a tona somente em momentos especiais, de ternura, candura, onde ele me traga sorrisos e não lágrimas.
Não quero ser como aquele urso, que encontrou na floresta um barril cheio com uma feijoada fervente, e esfomeado agarrou-se a ele ferozmente, e mesmo sentindo que estava tremendamente quente e que isso lhe causava feridas profundas, preferiu continuar agarrado ao barril e sua feijoada fervente, do que abrir mão de farta refeição e salvar a própria vida. O urso assim morreu, agarrado ao barril de feijoada.
Agora começo uma nova fase, descobrindo a raiz de todo o mal, largo finalmente meu barril de feijoada, ainda que bastante machucado. Mas as feridas cicatrizam.
Quanto ao futuro... Isso é uma outra história. Reafirmo apenas o que disse, não vou pensar no que ainda não existe. Meu futuro é amanhã e olhe lá!!! Posso pensar nele, planejá-lo sem ansiedades, mas projetar nele minha felicidade, never, ever!!!
Já o meu presente, quero-o agora. Preciso desembrulhá-lo rápido e começar a vivê-lo com urgência!!!!!!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

TUDO O QUE VOCÊ NÃO DISSE

Querido Esdras

Como você está? Acredito que no mínimo surpreso, pois certamente não esperava uma carta minha não é? Pelo menos, não agora, depois de tanto tempo. Sei que demorei muito, mas sinceramente, de todo o meu coração espero que esteja bem, feliz de verdade, assim como eu gostaria de estar.
Queria ter as palavras certas, aquelas mais belas e sublimes pra poder descrever-te tudo o que sinto, mas como não sou um poeta, vou deixar que as palavras fluam do meu coração exatamente como elas são, simples e verdadeiras, como é o meu sentimento por você.
Talvez eu não tenha mais tempo, talvez seja tarde demais. É tão absurdo isso, eu não sei mais nada sobre você. Onde você mora, onde trabalha, se tem muitos ou poucos amigos, se ainda gosta das mesmas músicas, de cinema, de caminhar naquele parque onde a gente se conheceu de verdade, onde trocamos segredos. É como se estivesse escrevendo uma carta pra um completo desconhecido, mas o meu coração diz que não. Ele diz que você ainda é aquele mesmo garoto de voz mansa e jeito suave que ainda espera um grande amor, e eu rezo ardentemente todos os dias pra que ele não esteja enganado, pra que minhas esperanças não sejam todas dilaceradas uma a uma.
Você não vai acreditar onde estou agora. Em Berna, na Suíça. Estou de folga e vim conhecer um chalé muito charmoso, que na verdade fica em Oberland, afastado a uns poucos quilômetros da capital. O lugar é mágico Esdras, guarnecido por uma natureza escandalosamente verde e azul por todos os lados. As montanhas, ou melhor, os alpes, são fabulosos, tudo aqui é estonteante e é impossível não pensar em você. Foi você quem me contou sobre uma citação de Clarice Lispector, onde ela dizia que aqui tudo era maravilhoso mas faltava demônio em Berna, uma espécie de calor humano, lembra? Pois pra mim aqui não falta nada, apenas você. Fico o tempo todo imaginando como seria perfeito conhecer e desvendar essa cidade com você do meu lado, já pensou? Então eu entenderia o que é felicidade. Depois daqui parto pra Bruxelas, outro lugar que era um sonho seu. Será que ainda é? É incrível como nos últimos tempos tudo tem direcionado meus pensamentos até você. Esdras, sei que te magoei muito, talvez por algo que não fiz, do que por alguma coisa que fiz. Pequei pela omissão, sabia do que sentias por mim e ainda assim preferi me calar, disfarçar, fingir que nada acontecia pra pelo menos usufruir de sua amizade, fui egoísta e cruel eu sei, ignorei seus sentimentos em nome de um benefício próprio. Era cômodo e envaidecedor saber-me especial e desejado por duas pessoas ao mesmo tempo. Um ego ridículo inflou e tomou conta de mim, me sentia o máximo, um super-homem, capaz de provocar as mais loucas sensações em todos a minha volta. Quanta estupidez!!!!!! Te peço perdão por isso. Se existe uma coisa pela qual me arrependo tanto quanto não ter aceitado seu amor na hora certa foi ter fugido daquele beijo que nos prometemos, lembra? Um único beijo que não aconteceu, por insegurança, covardia e medo de me envolver irremediavelmente, não ter coragem de me separar de R. e magoar você com falsas esperanças, fazendo-o sofrer ainda mais. Será que foi melhor assim? São tantas dúvidas, tantas perguntas, que só mesmo olhando nos seus olhos e tocando na sua pele para dissipá-las todas. Será que terei essa chance? Ainda significo alguma coisa pra você?
Já me livrei de todos os meus fantasmas. Finalmente coloquei um ponto final em meu relacionamento com R., e dessa vez é de verdade, acabou mesmo. Foi difícil, delicado, mas não tinha jeito, não havia mais um relacionamento há muito tempo. Eu o olhava e já não sentia mais absolutamente nada, nem mesmo a tal gratidão, que ele usou durante tanto tempo pra me fazer chantagem emocional. Definitivamente enterrei C., foi um grande amor, mas ele não existe mais. Segui-o amando todo o tempo que estive com R. e quase perdi minha sanidade, até que você apareceu e então comecei a organizar minhas ideias e sentimentos novamente, até chegar a esta conclusão que aqui estou e a esta carta.
Amado, você me fez renascer, me despertou pro amor de novo, me fez entender que a vida não acabou por causa de um deslize estúpido, mas tornou-se sim mais preciosa e especial do que antes, e eu quero viver, e te ver, e beijar e amar você.
Será que ainda temos tempo? Será que você ainda espera por mim? Será que ainda quer me fazer feliz?
Eu quero te fazer feliz e vou ao seu encontro, esteja onde estiver.
EU TE AMO!!!!!!


H.




domingo, 22 de fevereiro de 2009

A FESTA PERFEITA


A casa que nunca está menos que super lotado, tinha pouquíssimas pessoas.
A pista estava quase vazia, deliciosamente espaçosa.
O ambiente pequeno e aconchegante recebia um número reduzido de gente bonita, charmosa, de bom gosto e muito animada.
A decoração, minimalista e requintada, dava um toque todo especial ao clima noir e nostálgico, com um grande e colorido quadro de Marilyn Monroe a nos observar a todos.
Os dj's era um show á parte, animadíssimos e super alto-astral, botaram fogo na festa, conduzindo as pick-ups com energia e muita alegria, mas o som foi a grande atração da noite. Um revival de músicas da minha adolescência, infância e de qdo eu ainda era apenas uma hipótese remota.
Os 90, 80 e 70 bombaram na pista e contagiaram de forma indescritível. Não existem palavras suficientes pra traduzir a energia q fluía poderosa dentro de cada um, e ainda menos em uníssono.
Posso afirmar sem medo de exagerar que foi a melhor festa da minha vida até aqui. E enquanto dançava, totalmente nas nuvens e em êxtase absoluto, Marylin
com seu carão antológico e sorriso escancarado, testemunhava e abençoava a festa perfeita.
E naquele momento, eu fui feliz !!!!!!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CARNAVAL EM VENEZA

Começa hoje a famosa chamada "festa da carne" aqui no Brasil.
Sim meus amigos, eis que surge mais uma vez o carnaval. Para quem gosta, um prato cheio. Quatro dias e cinco noites de pura orgia, muita bebida, muita dança, muita gente vestindo e principalmente tirando a fantasia, muito samba, suor e cerveja, folia pra dar e vender. Tudo muito, exageradamente, senão não é carnaval. O carnaval é a festa dos excessos, e por este motivo me incomoda um pouco. Carnaval me parece um desespero coletivo, nestas cinco noites faz-se urgente e necessário que se beije muitas e diferentes bocas, que exponha-se o corpo o máximo possível, os foliões respiram sexo e quem não gosta recolhe-se a um cantinho qualquer torcendo para que acabe logo tamanha insanidade.
Em meus mais remotos desejos o carnaval de Veneza sempre esteve presente como a mais perfeita e cobiçada personificação de uma festa verdadeiramente digna de reis e rainhas. Envolta em elegância e mistério o carnaval de Veneza surgiu a partir da tradição do século XVII, onde a nobreza se disfarçava para sair e misturar-se com o povo. Desde então as máscaras são o elemento mais importante deste carnaval.
Uma festa de pessoas finas, requintadas e civilizadas. Infelizmente aqui nos trópicos finésse, requinte e civilização não tem muita graça nestas cinco noites de sacanagem total.
Quanto a mim resta continuar sonhando com toda a beleza e deslumbre daquele que ainda me parece o melhor e mais lúdico carnaval do mundo e permanecer torcendo, num cantinho qualquer, que essa esquizofrenia brasileira acabe o mais rápido possível.


BOM CARNAVAL PRA TODOS!!!!!!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

INSÔNIA

Madrugada. Três horas e seis minutos.
Não é bem insônia de verdade, transformou-se já em um costume, dormir sempre depois das três. Decididamente um notívago.
Paula Toller, com sua voz sublime de seda pura embala os poucos minutos que faltam pra que me entregue definitivamente aos "braços de morfeu".
O dia foi terrivelmente quente, mas agora a chuva cai furiosa e vingativa sobre a cidade. Com tanta força que parece rasgar a escuridão como um punhal de gume letal, acompanhada de raios e trovoadas, parece berrar em meus ouvidos um ódio chamejante.
Ódio?
De quem? Por que?
Não sei. Talvez meu coração esteja sobrecarregado. Já não sei se falo mais coisa com coisa, afinal já são três e vinte e seis. O sono já turva os meus sentidos.
Só queria falar um pouco da chuva, da música e dos sonhos, mas os sonhos foram sequer mencionados.
Claro que não, ainda não dormi!!!!!!!