sexta-feira, 29 de julho de 2011

SENTIMENTOS

Já parou pra pensar no significado de cada sentimento que possuímos? É possível explicar quase todos eles. E o amor será possível explicar? Analisem esses significados:

SAUDADE é quando, o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo mas não consegue.

LEMBRANÇA é quando, mesmo sem autorização seu pensamento representa um capítulo.

ANGÚSTIA é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

PREOCUPAÇÃO é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair do seu pensamento.

INDECISÃO é quando você sabe muito o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.

CERTEZA é quando a ideia cansa de preocupar e pára.

INTUIÇÃO é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

PRESSENTIMENTO é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

VERGONHA é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

ANSIEDADE é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

INTERESSE é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

SENTIMENTO é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

RAIVA é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

TRISTEZA é uma mão gigante que aperta seu coração.

FELICIDADE é um agora que não tem pressa nenhuma.

AMIZADE é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

CULPA é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas geralmente não podia.

LUCIDEZ é um acesso de loucura ao contrário.

RAZÃO é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

VONTADE é um desejo que cisma que você é a casa dele.

PAIXÃO é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.

AMOR é quando a paixão não tem outro compromisso marcado? Não. Amor é um exagero?... Também não. Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

É complexo explicar o sentimento do AMOR, ele é tantas coisas e muitas vezes essas coisas são diferentes em cada coração que o sente. Amar é sentir, é dar amor, receber amor. Amar não é explicar e sim deixar aproveitar esse sentimento tão maravilhoso.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

LIBERDADE PARA AS BORBOLETAS - PARTE FINAL

Semanas após aquele fim de semana na capital, Rodolfo preparou uma grande surpresa para Yuri. Como recompensa pela conclusão do curso de espanhol os dois viajariam para Buenos Aires em uma espécie de lua-de-mel. Yuri entrou em estado de êxtase, mal podia se conter, era emoção demais e por demais inacreditável para o garoto simples de beira de praia que viajaria pra fora do Brasil. E Rodolfo se deliciava testemunhando a felicidade quase incontrolável de seu amado menino.

Alguns dias depois já em terras argentinas Rodolfo e Yuri comemoravam 1 ano de namoro e nunca foram tão felizes. Entre hermanos, tangos e media-lunas, visitaram parques, museus, livrarias e restaurantes maravilhosos e se amaram, se amaram intensamente. Foram 4 dias de sonho até a volta pra casa, ao botarem os pés no apartamento um convite enviado pelo correio endereçado a Rodolfo, amigo antigo convidando-o pro aniversário em boate badalada na capital. Como de costume Yuri ficou animadíssimo com a ideia de uma festa na capital e Rodolfo nem tanto, mas achou que seria a oportunidade perfeita de rever velhos amigos e de quebra apresentar Yuri e pagar a promessa que havia feito de levá-lo em uma balada.

Exato um mês depois do convite oficial, Rodolfo e Yuri adentraram a pista da badaladíssima festa de aniversário, ambos estavam lindos, mas Yuri estava especialmente deslumbrante e inebriado com lugar, era tudo muito mais incrível do que ele imaginava, a música, as luzes, os garçons, as drag-queens, a decoração, as pessoas, o clima como um todo. Rodolfo não queria parecer pegajoso nem inseguro mas logo na entrada percebeu os olhares de cobiça e admiração em cima de Yuri e aquilo lhe enchia de orgulho por estar ao lado de um dos homens mais lindos da festa e ao mesmo tempo um medo insuportável de perdê-lo pra sempre. Rodolfo conhecia aquele mundo muito bem e sabia que as feras famintas estavam sempre a espreita preparadas pra dar o bote em carnes frescas, e para todos ali Yuri não passava disso, um belo espécime de carne fresca passeando incauto e ingênuo entre as feras famintas, precisava protegê-lo mas sem sufocá-lo. Assim fez as devidas apresentações sempre apreensivo e com certo desconforto e assim passou a noite toda num canto da boate observando Yuri interagir com as pessoas, dançar, gargalhar e só se aproximava do namorado quando ele acenava chamando-o pra perto de si. Rodolfo ouviu todos os tipos de elogios deirecionados a Yuri, todos os amigos e conhecidos estavam encantados com o belo rapaz, a essa altura já devidamente lapidado por ele e completamente inserido naquele contexto de glamour e cobiça.

No retorno pra casa enquanto Rodolfo dirigia sério em silêncio, Yuri não conseguia parar de falar e gesticular e contar empolgadamente todas as impressões que tivera daquela noite impressionante. Rodolfo só sorria com o canto de boca e balançava suavemente a cabeça como que a concordar com o fascínio de Yuri, mas o ar preocupado não desaparecia de seu semblante. Já no apartamento Yuri comentou que Rodolfo parecia chateado com algo.

- Aconteceu alguma coisa Rudy? Você parece chateado, preocupado com alguma coisa. Não gostou da festa, tá se sentindo mal? Foi alguma coisa que eu fiz ou disse?

Carinhosamente, passando a mão suave na nuca de Yuri, Rodolfo respondeu.

- Não aconteceu nada meu amor, eu só tô cansado, essas festas não fazem mais a minha cabeça. Mas se você se divertiu e gostou tanto é o que importa, eu fico feliz por você.

Deitaram ambos exaustos, mas mal conseguiram dormir, Yuri com uma alegria incontida pela noite que tivera, Rodolfo com uma desagradável sensação de perda.

Os dias que se seguiram apresentaram a Rodolfo um Yuri diferente, ainda que sutilmente, mais confiante, seguro de si e descolado. Sem sombra de dúvidas aquela festa e aquelas pessoas surtiram visível efeito em seu diamante recém lapidado e isso o enchia de dúvidas e angústias. Yuri continuava carinhoso e apaixonado, mas dentro de Rodolfo a certeza daquele amor havia mudado.

Certo dia arrumando roupas e objetos Rodolfo encontrou entre as coisas o cartão de uma agência de modelos e perguntou a Yuri do que se tratava. Sem dar muita importância Yuri explicou que tinha recebido de um cara na noite da festa, mas não havia levado muito a sério a proposta para ver umas fotos e acabou largando o cartão em qualquer lugar. Rodolfo ficou pensativo por alguns instantes procurando coragem para dizer o que seu coração não queria mas o bom senso pediu.

- Você devia ligar para ele Yuri, é uma oportunidade e tanto. Eu conheço essa agência, é uma agência ótima, séria, exporta modelos belíssimos pro exterior. Eu vou ligar pra você.

- Não Rodolfo, eu não quero. Você ficou louco, escutou o que você acabou de dizer, trabalhar no exterior, ir embora pra fora do Brasil, pra longe de você, nem pensar!
Dizendo isso saiu e Rodolfo permaneceu calado e pensativo olhando as paredes brancas do apartamento.

Poucos dias mais tarde Yuri recebeu um telefonema da agência que havia provocado o pequeno mal estar entre ele e Rodolfo e mesmo não interessado em nenhuma proposta ouviu pacientemente do outro lado da linha. O agenciador insistiu pra que Yuri aceitasse sua proposta, e era mesmo uma proposta tentadora, mesmo sem fazer testes, nem fotos, Yuri já começaria como modelo principal de uma marca de tênis, uma campanha grande e um cachê melhor ainda. Yuri ficou balançado, sentou com Rodolfo, contou todos os detalhes da proposta de trabalho, expôs seu desejo de aceitar, ms também o medo de ficar longe dele, pois teria de viajar e ficar um tempo na capital.

Com a serenidade de sua maturidade e experiência de vida, Rodolfo fez Yuri entender que para ele seria insuportável ficar tantos dias sem vê-lo, mas que boas oportunidades não podiam ser desperdiçadas e que logo eles estariam juntos de novoe o reencontro seria incrivelmente especial, sem contar que ele começaria a ter seu próprio dinheiro, conquistaria a independência financeira, amadureceria como ser humano e estaria mais seguro e inteiro na relação. Enquanto Rodolfo falava lágrimas vertiam pelo rosto de Yuri. Rodolfo apertou num abraço forte o rosto de Yuri contra seu peito e enxugou suas lágrimas na camiseta cinza de algodão. Ficaram assim entrelaçados um no outro por um longo tempo, acabaram adormecendo no sofá.



No carro rumo à capital Yuri não disfarçava o nervosismo, Rodolfo tentava acalmá-lo com palavras tranquilizadoras, mas conseguiu imaginar o que o garoto de beira de praia, um dia ignorante, estava sentindo prestes a iniciar uma promissora carreira de modelo. Era uma loucura como a vida dele havia mudado tanto em tão pouco tempo e isso também mexia com ele de uma forma muito particular, era como se estivesse perdendo seu menino, seu pequeno tesouro, um tesouro que descobriu sozinho e que muitos agora teriam acesso.

Chegando em seu destino Yuri despediu-se de Rodolfo com um longo e apaixonado beijo e promessas de telefonemas todos os dias.



O tempo passou, Rodolfo e Yuri se viam muito menos mas com muito mais intensidade. Yuri tornara-se um disputado rosto em campanhas publicitárias e às vezes até nas passarelas, sua carreira deslanchara, precisou mudar-se de vez pra São Paulo, quando conseguia uma brecha na agenda encontrava-se com Rodolfo na praia, quando não, era Rodolfo que ia ao seu encontro. Ambos sentiam falata de estar mais tempo juntos, mas a vida havia mudado, principalmente a de Yuri, e a rotina de Rodolfo tornou-se entediante sem seu menino numa praia quase deserta. Às vezes Rodolfo chorava silencioso abraçado ao travesseiro de Yuri, mas o que era ruim poderia ficar pior.

Certo fim de semana Yuri foi ao encontro de Rodolfo. Levou flores, bombons, vinho e um brilho triste no olhar, que Rodolfo percebeu no ato ao abrir a porta pro amado. Sem trocar palavras beijaram-se como se fosse o último suspiro, se embriagaram de vinho, dançaram nus de rosto colado no meio da sala sob o tapete macio de pele de carneiro e se amaram ardente e desesperadamente, depois se amaram de novo serena e suavemente, devagar e em silêncio.



De manhã Rodolfo acordou Yuri com café na cama e fez a pergunta que não queria calar.

- Yuri, nós já tivemos noites e dias e tardes maravilhosos mas essa noite foi mais que especial, foi indescritível. Me responde sem rodeios, essa noite foi uma despedida?



- Surgiu uma nova proposta Rodolfo e eu aceitei. Trabalho em Nova York, eu embarco em quatro dias.

-Nova York? Dentro de quatro dias? Você não me disse nada antes por quê? A gente só tem quatro dias Yuri depois eu não vou te ver mais. Por quê você fez isso, por quê?!



Rodolfo sentia um desespero que não conseguia controlar, enquanto Yuri tentava explicar em vão. Sufocado pelo desespero de perder seu amor, Rodolfo saiu batendo a porta deixando Yuri sem reação ainda na cama.

Rodolfo correu de pijama pela areia da praia até cansar. Exausto de correr e chorar sentou-se na areia úmida e olhou pro mar na esperança de que ele o acalmasse e o fizesse aceitar mais uma perda. De repente sentiu uma mão quente tocar seu ombro.



- Vem comigo meu amor, tá frio aqui.

Yuri o envolveu em seus braços e levou-o de volta pra casa. Conversaram longamente sobre tudo. Yuri esclareceu todos os detalhes da mudança e contou que em um ano estaria de volta. Yuri insistiu para que Rodolfo o levasse até o aeroporto, mas este alegou que detestava despedida e aquela só prolongaria seu sofrimento. Despediram-se então na portaria do prédio mesmo, Yuri entrou no táxi e o coração de Rodolfo em pedaços tinha a certeza que jamais o veria novamente.



A vida seguiu seu rumo, os primeiros meses sem Yuri foi quase insuportável pra Rodolfo, mas aos poucos ele foi se acostumando. Às vezes em datas especiais recebia um postal de Yuri, mas a cada correspondência sentia-o mais distante, menos seu.

De vez em quando Rodolfo caminhava à beira mar e lembrava o dia em que conheceu Yuri, nesses momentos alternava entre lágrimas e risos, e assim entre suas recordações do passado percebeu um carro preto com os vidros fumê seguindo-o, resolveu tomar satisfações e foi em direção ao veículo. O carro parou, a porta se abriu e Yuri saiu dele lindo como um deus, Rodolfo demorou alguns minutos para reconhecê-lo todo vestido de negro e óculos escuros, quando o reconheceu mal podia acreditar no que seus olhos via.



- Yuri é você?

- Viu como eu evoluí, a primeira vez te persegui com uma bicicleta velha, agora já tenho um carro razoável. Quer dar uma volta comigo?



- Você disse que voltaria em um ano, mas já passou mais que isso, eu achei que nunca mais te veria.

- O contrato foi renovado por mais cinco meses, mas eu nunca tive dúvida de que voltaria pra você e vou voltar sempre porquê você é o amor da minha vida.



Rodolfo sorriu o sorriso mais feliz de toda a sua vida, beijou Yuri escandalosamente, entrou no carro e enquanto Yuri dirigia e falava sobre tudo entendeu que ele não era mais seu diamante mas uma borboleta colorida e livre que poderia voar o mais alto e longe possível porque sempre voltaria pro seu jardim, pois também era o amor de sua vida.





FIM

sexta-feira, 13 de maio de 2011

LIBERDADE PARA AS BORBOLETAS - PARTE 2

Rodolfo tentou resistir o quanto pôde, mas a paixão por Yuri estabeleceu-se de forma inevitável em sua vida.

A primeira noite de amor foi intensa e vigorosa, Yuri era um verdadeiro vulcão em erupção, uma força da natureza e despertou em Rodolfo sensações incríveis já à algum tempo quase esquecidas. O cara mais velho, mais experiente e completamente seguro de si, sentia-se agora desarmado, frágil, mas protegido, aninhado nos braços do garoto simples e rude do interior.

Depois daquela noite Rodolfo e Yuri não se desgrudaram mais. Yuri passava mais tempo no apartamento de Rodolfo do que em sua própria casa. Até que um belo dia por ideia de Rodolfo, mudou-se de vez para lá.

De vez em quando Yuri fazia alguns bicos como ajudante de pedreiro para que Rodolfo não pensasse que ele estava se aproveitando das mordomias que ele podia lhe proporcionar. Mas Rodolfo reconhecia o esforço do rapaz e decidiu que era hora de começar a lapidar o diamante bruto que tinha levado pra sua casa.

Rodolfo começou então uma verdadeira maratona. Matriculou o garoto em um cursinho supletivo para que concluísse o ensino médio e também em um curso de inglês e espanhol.

Embora obedecesse tudo o que Rodolfo o orientava a fazer, as vezes Yuri reclamava que aprender duas línguas diferentes ao mesmo tempo era muito complicado, no que Rodolfo sempre argumentava que ele ainda era muito jovem e estava com a cabeça bem fresca para aprender muitas coisas ao mesmo tempo. Yuri era mesmo muito esperto e aprendia tudo bastante rápido e conforme progredia nos estudos Rodolfo começava a repaginar seu visual.

Num certo fim de semana viajaram até a capital, o que deixou Yuri arrepiado de excitação, pois nunca havia saído de sua pequena cidade natal e lá Rodolfo levou-o no salão que costumava frequentar e depois de algumas horas o já belo Yuri começava a transformar-se num princípe. Estava agora com um corte de cabelo moderno, a pele limpa, sedosa, quase cintilante, músculos relaxados, sentiu como se caminhasse em nuvens. Do salão partiram pro shopping. No afã de deixar seu amado com a melhor casca possível, Rodolfo deu-lhe um banho de loja. De roupas e sapatos à acessórios e perfumes Yuri ganhou de tudo do bom e do melhor, Rodolfo não fez economia, sentia-se realizado e satisfeito de ver o homem que estava amando além de lindo, feliz. E Yuri estava não só feliz, mas fascinado e encantado com todo aquele admirável mundo novo que se desvelava bem diante de seus olhos. Encerraram o dia com uma sessão de cinema.

Enquanto jantavam, já no restaurante do hotel, Yuri comentou com Rodolfo um antigo desejo.

- O dia de hoje foi perfeito, acho até que depois da nossa primeira noite juntos foi o melhor dia da minha vida, mas tem mais uma coisa que queria te pedir

- Pede

- Eu queria sair pra dançar numa boate

- Numa boate?

-É, uma balada numa boate. Eu sempre tive vontade mas nunca fui em uma. Só vi em revistas e na TV. Dançar sob aquelas luzes coloridas no meio de um monte de gente bonita, eu sempre quis fazer isso. Me leva vai.

Rodolfo achou graça do desejo de Yuri, algo que ele mesmo já tinha feito tantas vezes e andava sem paciência nenhuma para voltar a fazê-lo. Frequentar baladas era coisa do passado em seus hábitos, mas ele compreendia a curiosidade do namorado que era só um garoto e conhecia quase nada da vida e continuaria sem conhecer se ele próprio não o tivesse introduzido em uma nova vida, mas aquela parte da vida noturna ele queria adiar o máximo possível, por isso apesar do apelo quase ingênuo de Yuri, Rodolfo achou por bem recusar seu pedido.

- Dessa vez é melhor não Yuri.

- Mas por que?

- Porque amanhã a gente pega a estrada cedo de volta pra casa.

- Mas não tem problema. A gente sai agora, ainda tá cedo, fica só um pouquinho, só pra eu ver como é, e amanhã a gente pega a estrada um pouco mais tarde, que tal?

- Meu querido, eu estou muito cansado, o dia foi exaustivo hoje. Eu sei que você não sente como eu, tá aí cheio de gás, mas eu não tenho mais 19 aninhos. O melhor que a gente tem a fazer agora é ir pro quarto e dormir o sono dos justos. Eu juro, prometo que da próxima vez que viermos pra cá eu te levo na melhor balada da cidade e você vai dançar sob as luzes coloridas a noite inteira.

Terminaram o jantar e se recolheram numa das melhores suítes do hotel. Rodolfo pegou no sono logo e Yuri insone, ficou assistindo filmes no DVD sem legendas para treinar o inglês. Lá pelas tantas, quase pegando no sono, abraçado e com a cabeça recostada ao peito de Rodolfo, Yuri murmurou as últimas palavras antes de cair em sono profundo.

- Eu te amo.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

PAIXÃO TARDIA


Em estado de encantamento, completamente arrebatado. Foi assim que fiquei ao acompanhar a microssérie baseada na obra musical de Chico Buarque Amor em 4 atos. Na verdade nunca fui muito fã de Chico, ao contrário, sempre me incomodou um pouco tanto oba oba em cima de sua figura constantemente apontada como um profundo conhecedor da alma feminina e tal, toda a aura de unanimidade que o envolve e o fato de ele aparecer muito pouco, fortalecendo o rótulo de celebridade inatingível.

Enfim, depois de Amor em 4 atos, fui obrigado a rever meus conceitos sobre Chico e sua obra, me apaixonei, ainda que tardiamente. Impossível não se render a melancolia de O QUE SERÁ e AS VITRINES nos episódios com Aline Moraes (sempre um bálsamo para os olhos) e Vladimir Brichta. Como não mergulhar nas águas profundas de uma paixão atormentada e dolorosa vivida por Carolina Ferraz e Dalton Vigh ao som de MIL PERDÕES? Ou não querer amar intensa e sofregamente como se fosse a última vez, assistindo ao episódio inspirado em ELA FAZ CINEMA e CONSTRUÇÃO, embalados pela doçura sexy de Marjorie Estiano e a inoxidável virilidade de Malvino Salvador?
Aplausos para a sofisticada direção de Roberto Talma, Rede Globo e Chico Buarque que juntos levaram ao ar uma das melhores coisas desse início de ano: Música para os olhos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

ANO NOVO, VIDA NOVA?

Na noite da virada, na sacada do nono andar do edifício Madri, pipocam no céu os multicolores e sempre fascinantes fogos de artifício, os dourados e os lilázes são os mais bonitos. Uma taça de espumante na mão e a cada nova explosão uma palpitação diferente e angustiante no peito. Tanta esperança antes da meia-noite do dia 31, e no primeiro minuto de 2011 um medo aterrador, agora o ano novo não é mais apenas um vislumbre, ele existe de fato e chegou a hora de pôr em prática todas as promessas, tentar realizar todos os desejos ou pelo menos parte deles. Sabe-se que 99,99% de as coisas acontecerem depende somente de nós, mas também é necessário o 00,01% de oportunidade pras coisas darem certo e se esse 00,01% não der o ar de sua graça? Pânico total, mas este só dura o tempo de eu lembrar quem sou, nada ou quase nada me detém quando quero algo e em 2011 EU QUERO MUITO, em 2010 também quis mas era apenas uma ideia a amadurecer, agora já está amadurecida e pronta pra ser colhida.

Depois da meia-noite hora de encontrar todo mundo madrugada à fora. Praia, bebidas, abraços, gargalhadas, felicitações, pegação e mais esperança, muitas, toneladas, pra enfrentar com um sorriso no rosto os próximos novos 365 dias.

01 de janeiro de 2011, acordo as 15:00, um banho bem demorado, comidinha leve, roupa bacana pra festa de logo mais à noite. Casa lotada, gente bonita saindo pelo ladrão, música dance, cerveja, ice, água. Roupa encharcada de suor. Um sorriso é trocado no bar, um drink me é oferecido e gentilmente recusado, mais tarde um beijo no escuro. Drags, go-go boys, gritos ensandecidos. Deixo a festa as 05:00 da manhã e depois de quase um ano sem frequentar casas noturnas chego a mesma conclusão: tudo continua igual, exceto o drink oferecido, que tantas vezes vi nos filmes e devaneei que um dia aconteceria comigo, demorou mas aconteceu, a primeira novidade de 2011, talvez nem tudo continue igual ou será que sou eu que estou diferente?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

LIBERDADE PARA AS BORBOLETAS - PARTE 1

Fazia pouco mais de um mês que Rodolfo tinha sido transferido da multinacional que trabalhava em São Paulo, para gerenciar uma filial recém inaugurada numa pequena cidade litorânea a alguns quilômetros de distância da capital.


Rodolfo estava numa fase tranquila e estável, exceto pela pequena crise dos trinta que se abateu sobre ele tão logo acabara de completar trinta e cinco anos. Isso ocorrera poucas semanas antes da transferência de emprego, de cidade, de vida. De repente sua vida deu um giro de 360 graus, mudou tudo e Rodolfo encarou as coisas de peito aberto, como uma nova oportunidade de recomeçar. Embora nunca tivesse se imaginado vivendo longe da paulicéia desvairada Rodolfo pensou que seria bom. Apesar da distância dos amigos e da vida social intensa que deixaria pra trás, também estaria deixando algumas tristezas e desilusões, como um longo relacionamento que havia acabado da maneira mais desastrosa possível e do qual ele ainda não havia se recuperado completamente, e para uma plena recuperação nada melhor que uma mudança radical. Novos ares, novas pessoas, a vida bem pertinho do mar, uma rotina novinha em folha. Rodolfo achou toda aquela história de promoção e transferência providencial.

Assim que se intalou no novo endereço, Rodolfo trocou as superlotadas academias de São Paulo por saudáveis caminhadas na areia da praia, onde de vez em quando podia parar para comtemplar o mar, as gaivotas, sentir a brisa no rosto e entre uma alongada e outra refletir sobre a brusca mudança em sua vida, em como tinha se tornado pacata e o quanto era agradável, apesar de em alguns momentos sentir um pouco de tédio, afinal desde que se entendia por gente ele era um homem urbano e cosmopolita até o último fio de cabelo, e se adaptar a pasmaceira de uma cidade com pouco mais de 50.000 habitantes não era assim tão fácil, mas estava indo bem.

Foi então que numa dessas caminhadas Rodolfo percebeu alguém numa bicicleta que parecia segui-lo à distância enquanto fazia seus exercícios na areia. Da primeira vez ignorou, na segunda ficou intrigado, na terceira encarou o homem tão furiosamente que este resolveu se aproximar e desfazer qualquer mal entendido. Rodolfo ficou receoso, não sabia o que pensar enquanto o rapaz caminhava em sua direção arrastando a bicicleta velha e enferrujada. Podia ser um delinquente, um psicopata ou quem sabe alguém interessado nele, de todas as opções a última era a que lhe causava mais arrepios. Preferia ser assaltado em plena luz do dia a beira-mar do que se envolver com alguém naquele momento de sua vida, mas fosse o que fosse o mistério estava pra acabar naquele instante.

O rapaz que aparentava ser bem jovem vestia um abrigo surrado, tênis velhos e boné de campanha eleitoral, apesar da aparência desleixada tinha um rosto bonito, Rodolfo reparou bem nisso, assim como nos profundos olhos verdes do rapaz, que meio tímido apresentou-se, disse que se chamava Yuri e que tinha reparado que Rodolfo era novo na cidade e queria conhecê-lo melhor, mas ficou sem jeito de chegar de cara e passou a observá-lo durante suas caminhandas. Notando que o rapaz era inofensivo e um tanto quanto ingênuo Rodolfo não quis ser rude, mas foi direto. Pediu que o garoto não o seguisse mais porque se sentia desconfortável e que não estava interessado em conhecer pessoas naquele momento. Decidiu correr o mais depressa que pôde de Yuri, deixando-o ali parado com ar perplexo e decepcionado.

Com o passar dos dias Rodolfo não conseguia tirar Yuri da cabeça, o rapaz havia parado de observá-lo durante seus exercícios na praia desde o dia em que tentou aquela frustrada aproximação e Rodolfo percebeu que sentia falta dos furtivos e distantes olhares do simplório rapaz. Até que num final de tarde qualquer, enquanto voltava caminhando pra casa após mais um dia de trabalho, Rodolfo foi surpreendido por Yuri aproximando-se sorrateiramente com sua inseparável bicicleta. O garoto o cumprimentou timidamente perguntando-lhe se ainda se lembrava dele. Rodolfo quase não conseguiu disfarçar um discreto sorriso, estava contente em vê-lo de novo, e desta vez foi mais receptivo ao rapaz. Conversaram um pouco até que decidiram tomar alguma coisa. Sentaram num bar e entre uma cerveja e outra conversaram amenidades. Enquanto Yuri falava com seu jeito rude e simples, Rodolfo percebia ali um diamante bruto pronto pra ser lapidado. Ficaram longas horas na mesa do bar e conforme a conversa avançava Yuri contava com muita naturalidade e nenhum aparente ressentimento a vida difícil que vivia ao lado mãe relapsa que nunca se preocupou muito com seus estudos e seu bem-estar. Apesar da maneira rústica e desleixada com que falava, como se aquilo não o afetasse, Rodolfo não conseguia deixar de se enternecer com a história triste daquele garoto de dezenove anos, de belo rosto que poderia ter grandes oportunidades se bem direcionado.

As horas passaram voando e ao ver que o bar começava a fechar as portas Rodolfo tomou a iniciativa de pagar a conta e se retirar. Na saída Yuri ofereceu-se para ir com Rodolfo até seu apartamento, mas este recusou prontamente a possibilidade. Prometeu a seu mais novo amigo que em outra oportunidade o convidaria para ouvir umas músicas e tomar um vinho em seu apartamento, mas não seria naquele dia. Yuri insistiu mais um pouco, mas Rodolfo foi firme em sua postura. Sabia muito bem o que o garoto queria e naquele momento isto ainda estava fora de cogitação. Nos últimos meses, Rodolfo não tinha nenhum interesse por sexo sua libido andava bem em baixa desde pouco antes do fim de seu último relacionamento, o que o fazia pensar que este seria um dos motivos da separação que lhe deixou marcas profundas de dor e tristeza.

Despediram-se então com um suave aperto de mão e foram para lados opostos. Sozinho no quarto à meia-luz, refestelado em sua enorme king-size Rodolfo pensava em Yuri e todas as possibilidades que ele poderia trazer a sua vida. Sentiu um desejo incontrolável de ajudá-lo, de transformá-lo, só não poderia se apaixonar de jeito nenhum,era o que repetia em seus pensamentos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

CORES VERDADEIRAS


Música é essencial pra vida, pra minha pelo menos, e quando a música é boa de verdade o tempo passa, surgem novas versões e interpretações, mas a emoção que nos provoca permanece intacta. Esse é o caso de True Colors, canção dos anos 80 composta e gravada pela minha amada e ícone pop Cyndi Lauper.


Escutei True Colors pela primeira vez na voz de Phil Collins, já na sua segunda versão, no final dos anos 90 e me apaixonei por aquela interpretação masculina e sedutora. Mas quando descobri, pouco tempo depois a legítima dona das tais cores verdadeiras fui irremediavelmente arrebatado por toda a força e delicadeza da diva absoluta de uma época.


Agora, mais de 20 anos depois de sua versão original, True Colors volta com alguns toques de modernidade mas tão emocionante quanto antes. Uma inacreditável e surpreendente Alessandra Maestrini assume os vocais e consegue mais uma vez tocar no ponto exato da emoção, provando que quando as cores são verdadeiras os sentimentos são imortais.



Link do vídeo com Alessandra Maestrini:http://www.youtube.com/watch?v=8w1eszbtg5g