quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ESQUECER

Demorei algum tempo pra assistir ao filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças, talvez porque não goste muito de Jim Carrey fazendo dramas, apesar de achar Kate Winslet sublime em qualquer papel, fiquei reticente em assisti-lo mesmo sabendo que não resistiria a ele por muito tempo. Ainda assim não o vi no cinema nem em dvd, acabei assistindo-o na tv mesmo e me arrependi profundamente de não tê-lo visto logo na estréia. Realmente o filme me conquistou, fiquei completamente apaixonado, já o tenho na minha lista de preferidos. É um filme profundo, original, romântico sem ser meloso e com um elenco fabuloso.
A história consiste em um procedimento clínico q infelizmente ou felizmente ainda ñ existe de verdade, o "apagamento de memória". Joel e Clementine são um casal que se ama profundamente, mas depois de um certo tempo juntos não conseguem mais se entender, a imcompatibilidade de gênios aflora cada vez mais e a convivência acaba tornando-se insuportável, principalmente para Clementine, que após romper com o namorado decide esquecê-lo literalmente, submetendo-se ao procedimento que deleta da memória qualquer lembrança indesejável, neste caso todos os momentos que viveu com Joel, desde o dia em que o conheceu até o dia em que terminaram. Ao descobrir oq a ex-namorada q ainda ama fez, Joel fica desnorteado, e magoado resolve se submeter ao mesmo procedimento.
Por que essa história improvável mexeu tanto comigo? Pq talvez se ñ fosse tão improvável assim, se realmente existisse um procedimento como esse ao alcance de todos eu me submeteria a ele, ou não. Talvez não tivesse coragem se fosse uma possibilidade real, embora vontade ñ faltasse.
Agora, o q esquecer, por que esquecer, por que ñ esquecer? São questões ultra complexas e delicadas capaz de fundir a cabeça da criatura mais sã. Nesse caso falarei por mim.
Gostaria de esquecer todas as humilhações e perseguições passadas nos primeiros anos escolares. As decepções com amigos de confiança. Os amores ñ correspondidos. A vergonha por parecer esquisito. Somente coisas ruins óbvio, lembranças tristes q se esquecesse provavelmente viveria uma eterna sensação de bem-estar, de felicidade. Sensação de ter tido uma vida plena de momentos bons e satisfatórios, sem nenhum problema, nenhuma tristeza, nem decepção, nenhum pingo de sofrimento. Seria um verdadeiro horror, uma vida completamente vazia de questionamentos, angústias, decepções. Sem "quebrar a cara" nenhuma vezinha sequer como é que iríamos crescer como ser-humano ou nos entender como tal tendo em vista q seríamos adultos ao participar de um "apagamento de memória"?
Esquecendo todos os piores momentos da vida q espécie de pessoas seríamos afinal? Eu ñ sei essa resposta, mas como estamos no campo das suposições, vou chutar.
Acabaria me achando estranhíssimo por perceber todos a minha volta divagando sobre as superações de problemas do passado, o sofrimento pela perda de alguém querido, a dor de cotovelo pelo término de um romance, um amor ñ correspondido, a frustração por ñ conseguir uma vaga de emprego, uma briga terrível, e eu ali impassível sem lembrar de nenhum momento de dificuldade, desespero ou agonia, sem poder contribuir com nenhum tipo de experiência pessoal para uma conversa onde no fim todos comentariam das maravilhas de se passar por momentos difíceis para depois de superados usufruir da bonança q sempre chega depois da tempestade.
Ficaria completamente perdido num mar de lembranças boas, começaria a duvidar de meu próprio caráter e até mesmo de minha sanidade mental, pq apesar de ter apagado as lembranças más ainda seria uma pessoa dotada de inteligência e saberia perfeitamente q jamais se vive apenas momentos de alegria, se ñ se sofre externamente, internamente pode-se viver dilacerado por toda uma vida. Por fim acabaria por enlouquecer.
O sofrimento ñ é bom, decepções machucam, humilhações magoam, ferem, amores ñ correspondidos dóem barbaridade, mas a dor nos faz crescer. Tudo isso nos transforma, em pessoas boas ou ruins, fortes ou frágeis, sensíveis ou insensíveis e oq faz com q ñ se perca a essência e continuemos sendo oq somos é a lembrança de tudo q se viveu, de todos os obstáculos ultrapassados e sofrimentos superados. É olhar pra trás e pensar como foi bom ter passado por tudo isso e ter sobrevivido ao q parecia ser o fim em determinado momento.
Enfim, lembrar eh bom, seja lá oq for, mas pensando bem, aquele mané q ñ percebeu o qto eu o amava e me fez chorar litros durante mto tempo merecia ser deletado da minha memória sim. Isto ñ é uma contradição é uma constatação. É por isso q eu amei o filme, ele me fez descobrir a única maneira de me livrar de um amor ñ correspondido pena q é apenas uma ilusão, mas um dia quem sabe. Enquanto esse procedimento incrível ñ surge no mercado vou me conformando com o tempo q trata de sarar todas as dores, mas não deixa esquecer.


domingo, 26 de outubro de 2008

CONTOS DE JEAN WYLLYS

Ele é simples e cortante como um punhal afiado. Posto aqui dois pequenos contos do polêmico ex-participante do bbb5, histórias curtas que mexeram profundamente com minhas emoções:


LUA VERMELHA

O Convento de Santa Tereza, os prédios do Comércio, a praça Castro Alves e a rua Chile jaziam ao som das águas da baía. A lua cheia, suspensa a altura do forte, ofuscava as luzes dos navios. Àquela hora da madrugada, ouvia-se apenas o som dos cães arrastando os sacos na calçada. O silêncio tomara conta da rua do Edifício Pequim, onde, debruçada sobre a janela, Lua (Lucineide era seu nome de batismo) olhava a paisagem. Coberta por um vestido cor de leite, que constratava com sua pele negra, e com uma passadeira na cabeça prendendo os cabelos espichados, ela parecia vestida para um dia especial. Embora sua vida fosse vazia de dias especiais e quase sem amor.
Até aquele dia, Lua só havia conhecido trabalho, privação, humilhação e tirania. Dormia no quarto pequeno e úmido da área de serviço e trabalhava nas ocupações dométicas das seis da manhã as onze da noite. Ouvia, todos os dias, a patroa dizer que as empregadas, apesar de tratadas como filhas, não valiam nada, eram preguiçosas, ladras e só sabiam namorar. Há doze anos morando em Salvador, Lua nunca havia beijado.
Os homens - até mesmo o porteiro do prédio, manco e evangélico - não olhavam para ela. Viera de Queimadas, uma terra seca lá para as bandas de Monte Santo, meio vendida pela mãe. Do lugar, ela guardava a lembrança apenas das estrelas da noite e da música de Luís Gonzaga no rádio de pilha vermelho. Em Queimadas, ela aprendera que à tarde o sol vai para o Japão. E a Lua, viria de lá?
Deixara de freqüentar a escola porque parecia invisível, ainda que não tivesse consciência de que fora por esse motivo. Não queria voltar para Queimadas, mas também não queria ficar em Salvador. Lua não sabia aonde ir. Sentada, agora, sobre o parapeito da janela, ela observava a Lua e tentava enxergar o dragão de São Jorge na bola branca. Uma tristeza preta pesou sobre o seu peito. Sentiu vontade de pegar a Lua. Lua, Lua, Lua, eu sempre quis você. O vento da noite soprava o vestido branco, que caía em disparada. As mãos e os pés a se debaterem no ar, e o estrondo a rasgar o silêncio da madrugada e a despertar o sono do dragão. Do décimo andar do edifício, onde seus patrões dormiam como eleitos, o vestido de Lua parecia uma flor branca desabrochada, contornada por folhas vermelhas que escorriam pela calçada, a refletir a Lua menstruada.


NADA SERÁ COMO ANTES

Em uma tarde morna, sob um céu rosado, eles se despediram no aeroporto que ainda se chamava Dois de Julho. Abraçaram-se demoradamente. Não disseram uma só palavra. Apenas as lágrimas davam conta do quanto um sentiria falta do outro. Os pais de João, aquele que partiria em breve, assistiram a despedida com bastante paciência. Em seguida, chamaram o garoto, pois o vôo havia sido anunciado. André, aquele que permaneceria em Salvador, deixou que o avião se espelhasse em seu olhar até sumir. Sentiu algo se apagar dentro dele. Toda despedida é um princípio de escuridão.
João e André se conheceram ainda no primário, mas só se tornaram amigos no ginásio. Os anos seguintes só serviram para aproximá-los ainda mais. Trocavam revistas em quadrinhos, fotografias, filmes e discos de pop rock. Sentavam-se próximos na sala de aula, permaneciam juntos durante os intervalos e, quando chegavam em casa, penduravam-se horas ao telefone, conversando entre si. Nos fins de semana, trancavam-se no quarto de um ou do outro para ouvir Legião Urbana e só saíam com as respectivas namoradas, se o casal amigo pudesse acompanhá-los.
Aliás, as namoradas foram problema em suas vidas. Enciumadas, elas não entendiam como dois homens podiam ser tão amigos e chegavam mesmo a insinuar que os dois eram veados. Quando isso acontecia, fosse com André ou com João, o namoro acabava imediatamente. Eles não amavam as mulheres com as quais se relacionavam, e, mesmo que amassem, acreditavam que a amizade era superior ao amor. Na verdade, João e André se amavam, pois a amizade nada mais é do que um amor despido de sexualidade, mais esperitual, portanto mais profundo.
Assim seguiram até o dia em que o pai de João conseguiu um emprego em uma corretora de imóveis em Miami, nos Estados Unidos. André tentou de todas as maneiras que João ficasse em Salvador. Chegou a oferecer sua casa para o amigo morar, mas o pai de João acreditava que o futuro profissional do filho estava no Primeiro Mundo. Resignados com a separação, prometeram que se falariam até o dia em que se encontrassem novamente. João garantiu que, assim que chegasse em Miami, ligaria para passar o telefone e que escreveria também.
Nos primeiros dias após a viagem, André não se afastou do telefone, esperando a ligação do amigo, que não veio. Atendeu ansioso a todas as chamadas telefônicas, mas, em nenhuma delas, João estava do outro lado da linha. Para preservar um mínimo de claridade na face, André resolveu acreditar que o amigo estava impossibilitado de ligar, que escreveria em breve. O carteiro, entretanto, só deixava na caixa postal extratos bancários. Passaram-se dois anos e André não recebeu nenhuma carta, nem uma ligação sequer do amigo. Nessa ocasião, passava os dias bêbado ao lado do telefone. Seus pais já não sabiam o que fazer para devolver o ânimo ao filho. Largado em um canto da sala, numa noite fria, André ouviu no rádio uma canção que dizia "eu já tô com o pé nessa estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã". Sorriu discretamente, guardando, na boca de sua noite, um gosto de sol.


Gostaria que comentasse qual o melhor na opinião de vcs e pq?

sábado, 25 de outubro de 2008

PAVOR DA SOLIDÃO

Falar de solidão é complicado, pode ser encarado por um lado positivo ou negativo. Particularmente prefiro encarar sempre pelo lado positivo, sou totalmente defensor do velho ditado "antes só do que mal acompanhado", por isso tenho mta dificuldade em compreender pq algumas pessoas tem verdadeiro pavor da solidão, e pra ñ se sentirem solitárias são capazes de cometer verdadeiros absurdos. Conheço mtas pessoas assim q se submetem a relacionamentos mornos, alguns gelados até, por ñ suportar a simples idéia de estarem sozinhos.
Tem o caso de um casal q é nítida a falta de afinidade entre os dois, um tem cultura, é super inteligente, tem o gênio forte, é caseiro, diz ser fiel e parece comandar a relação, enquanto q o outro, cultua o corpo, parece um pouco desprovido de inteligência, ñ se interessa mto por assuntos culturais, é chegado numa balada forte, trai, pede perdão e tudo continua igual.
Outro casal vive um relacionamento desgastante e abusivo. Se agridem física e verbalmente, gritam, esperneiam, quebram coisas, traem-se mutuamente, mas ñ se separam.
Nesses dois casos, será q ambos os casais estão juntos por amor? Não creio, aposto no medo da solidão. Essa idéia fixa q quase todos temos de arranjar um(a) parceiro(a) urgentemente, custe oq custar, ou então morreremos secos, sozinhos, sem ninguém, causa um pânico coletivo nas pessoas. Um pânico tão grande q é capaz de levar alguém a trocar de parceiro todas as noites, sem nenhum critério, como aconteceu com outro conhecido. Ele entrou num desespero tão grande após o término de um relacionamento já conturbado, q saía a procura de sexo e companhia nas noites frias e bem escuras da cidade onde mora, e se submetia a cada ser-humano difícil de acreditar. Tudo isso em troca de um carinho, de um olhar q pra ele significava mto, mas pra outra pessoa era só uma noite, aí nascia o dia e ele caía na dolorida realidade q criara, e qdo vinha a noite começava tudo outra vez. Uma degradação q acredito eu, continua até hj. Se ele é feliz? Se consegue aplacar a solidão com essa rotina noturna? ñ sei, mas desconfio q ñ.
É lógico q é maravilhoso ter alguém do lado dia a dia, ter uma companhia agradável pra todas as horas, poder contar sempre com aquela pessoa, ñ ser apontado como solteirão, encalhado, ter com quem dormir juntinho, saber tudo daquela pessoa, conhecer ela de cor e salteado e todas as delícias e agruras de uma relaçaõ a dois, mas a que preço?
Até qdo suportaremos traições, desilusões, decepções, agressões? Até qdo vamos abrir a mão de tudo oq realmente desejamos? Queremos tanta coisa, sonhamos, idealizamos tanto, esperamos paixão, romance, alguém q acima de tudo nos admire, q venere nosso caráter de forma ponderada mas encantada e no fim cedemos a esse pavor mórbido da solidão. Nos entregamos a paixões fugazes e jogamos nossos ideais no fundo gaveta, e se demorarmos mto pra tirá-los de lá a traça pode comer. Então num determinado momento descobre-se q estamos mais sozinhos do q nunca, embora acompanhados, e essa é a mais cruel e dilacerante solidão, pq está alicerssada sob o medo.
Oq é necessário entender com a máxima urgência é q solidão ñ é e nem precisa ser sinônimo de tristeza, depressão, vc ñ ser uma pessoa interessante, nada disso. Sei de pessoas interessantíssimas q são solitárias, ñ vivem rodeada de amigos nem pretendentes e são felizes, alto-astral, curtem a própria companhia, sabem apreciar o prazer de um bom vinho, preparam aquele prato especial pra matar a própria vontade, reconhecem o valor de assistir um filminho gostoso sem nenhum chato do lado pra botar defeito, viajam sozinhos aproveitam horrores, vão ao teatro, restaurantes, parques, andam de bicicleta, tomam sorvete, riem, choram e se aceitam plenamente assim como são, os solitários, estão por aí aos montes, e esses continuam firmes, com seus ideais, sonhando, a procura de paixões intensas, profundas, romances duradouros como diamantes. E enquanto ñ encontram ñ se desesperam pq sabem q são bons demais pra algumas pessoas e o único pavor q sentem é de perder o amor-próprio, isto sim, a pior das tragédias.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

LAÇOS DE SANGUE VERSUS LAÇOS DE AMOR

Não é uma questão de escolha, ou vc ama ou ñ ama, a única coisa absolutamente imprescindível é o cultivo. Cultiva-se plantas, flores e amores, esse talvez o mais importante. Tem pessoas q ñ gostam de plantas, nem flores (poucos acredito eu), mas sem amor quem consegue viver?
Falo de um amor maior, universal, transcedental, incondicional. Um amor q nada tem a ver com romance, namoro, sexo. Um amor mais forte q os laços sangüíneos, pq a biologia ñ influi em nada os nossos sentimentos.
Ama-se a mãe ñ por que ela ela te gerou, (afinal vc nem tinha consciência de q estava vivo nesse período), mas pq ela te alimentou, te deu banho, carinho, contou histórias, deu beijo antes de dormir, te levou no parquinho, aliviou suas dores (de barriga, ouvido, dente), te vestiu com as melhores roupas, se preocupou com seus estudos, com a formação de seu caráter e com sua felicidade. Cultivou dia a dia um amor incondicional.
Ama-se um pai pela força e a ternura q ele consegue transmitir através de atitudes dignas, honestas e claras. Por aquele braço forte q te pegou e colocou na "cacunda" brincando de cavalinho, pelos presentes trazidos daquela viagem, ñ pelos presentes em si, mas sim pela lembrança. Ama-se um pai qdo ele ñ demonstra vergonha em deixar as lágrimas caírem e assume q apesar de ser o chefe da casa é frágil e tbm fraqueja de vez em qdo, e ainda assim com todas as suas fraquezas parece um herói pra vc, vc sente orgulho em chamar esse homem de pai. Ama-se um pai qdo ele aceita vc do jeito q é, ñ impõe suas vontades, mas sim analisa, pondera e compreende q o filho eh um ser humano e ñ um boneco de argila moldado segundo seus próprios desejos. Cultiva assim um amor mtas vezes frágil e delicado, mas q pode tornar-se forte e denso por toda uma vida.
O amor pelos primos surge de uma convivência desde a infância, regada a mamadeiras, brigas por brinquedos, choros, implicâncias, descobertas mil, estende-se pela adolescência, onde os laços se intensificam, aí aparecem os segredinhos, namoricos, baladas, primeiros porres, primeiras decepções e frustrações compartilhadas, lágrimas e soluços amparados por um abraço afetuoso repleto de um amor q durará pra sempre, pois foi cultivado pelas lembranças mais ternas.
E assim é com tios, avós, irmãos e todos q são sangue do nosso sangue. Não adianta ser parente, é preciso estar presente de alguma forma, fazer-se presente, ter o forte desejo de disseminar o carinho, o afeto, a ternura no coração de quem vc quer q o ame. Se ñ pode estar por perto todo o tempo ou só de tempos em tempos, telefone, mande carta, e-mail, postal. Demonstre q vc quer mto aquele amor e q tem mto amor pra dar. Mas faça isso logo, antes q seja tarde demais.
Os amores da minha vida sempre foram intensos, e verdadeiros, mas nem sempre tive a sorte de ser cultivado por eles, por alguns sofri, por outros nem tanto. Tive uma infância solitária, meus únicos amores eram meu pai e minha mãe e ñ demorou mto pra q desconfiasse desse amor de pai. Era uma relação delicada, complicada, estranha até. Um pai sentir ciúme do filho com a própria mãe, no mínimo um sinal de loucura, demência ou qualquer coisa do tipo.
Sim, tive o braço forte me colocando na "cacunda" pra brincar de cavalinho, mas ñ tive o homem firme e terno de atitudes dignas e honestas, tive os presentes, mas ñ tive o herói, aquele pelo qual me orgulhar, ñ tive o pai q me aceitou do jeito q eu era. O cordão q era frágil se arrebentou. O q no início era uma desconfiança hoje é uma certeza, posso sentir pena, carinho, um tantinho de afeto, mas amor...
Temos o mesmo sangue e pra mim isso ñ significa nada.
Primos, tenho aos montes, tios tbm. O que sinto por eles? qualquer coisa, menos amor, simplesmente pq eles ñ me cultivaram, o sangue ñ sente nada, apenas corre pelas veias, enquanto o coração pulsa frenéticamente, sentindo quem de verdade nos ama e retribui a altura.
Amei e amo profundamente pessoas q encontrei pela vida e que ñ tem nem sequer uma gota do meu sangue, essas me proporcionaram momentos de intensa alegria, ternura e amor. Um amor q ñ se escolhe nem se impõe, simplesmente florece, regado por afeto, atenção, cumplicidade, interesse e uma vontade enorme de estar junto mesmo a quilômetros de distância.

sábado, 18 de outubro de 2008

REENCONTRO


Para Pablo

Saudade, era isso q eu estava sentindo qdo comecei a imaginar como seria se um dia nos reencontrássemos. Teríamos mto pra conversar. Qdo fui embora, éramos apenas dois garotos, passado algum tempo, hoje somos homens, mas sinto q algum resquício de pureza ainda persiste em nossos corações. Não conseguíamos entender o q nos fazia tão iguais e tínhamos medo de assumir q éramos tão intimamente diferente dos outros, por isso fingíamos sentir o q ñ sentíamos. Sorríamos do que ñ achávamos graça e ñ conseguíamos expressar em palavras o q transbordava dos nossos olhos.
Agora maduros, nos libertamos das amarras do preconceito e da recriminação. Seremos o q tivermos de ser, falaremos o q quisermos falar e faremos o q der vontade de fazer. Vou contar-te todos os meus segredos e desvendar os seus mistérios. Seremos transparentes um para o outro, e correndo na beira do mar com os pés encharcados pela água morna, os olhos à brilhar refletindo o azul do céu, os corpos levemente úmidos pelo suave calor q inva de a pele dourada e garaglhando até perder o sentido, entoaremos o mantra da felicidade.
Seremos contagiosos. Ninguém resistirá a nossa alegria de viver.
Dividiremos tbm nossas tristezas. Choraremos juntos para ficarmos mais fortalecidos. Seria tão bom vê-lo novamente. Sentir-me compreendido, poder revelar a verdade q há dentro de mim e q por tanto tempo ficou escondida. É tão triste ñ poder transformar em palavras o q grita o coração.
Só qdo nos reencontrarmos serei inteiramente eu e quero q ñ me escondas nada. Já estou saturado de pessoas hipócritas, pedantes e superficiais.
Experimentaremos o doce de nossas vidas, ñ teremos vergonha, medo nem constrangimento.
Por fim, empapussados das mais ternas sensações nos envolveremos num caloroso e demorado abraço, sentiremos nossos corações pulsando desesperadamente e descobriremos q o sonho sempre acaba, por mais real q possa parecer ele sempre acaba.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A BAILARINA ENVIDRAÇADA E O MALABARISTA PRATEADO

Eram de mundos completamente opostos. Íngrid, no alto de seus 15 anos era dona de uma pele tão alva que se ñ fosse seus lisos cabelos castanhos claro até os ombros e os olhos profundamente negros, passaria despercebida pelos outros tamanha a brancura de sua tez, quase transparente. Zé Luís tinha um ano a mais, 16. Loiro, de olhos azuis, era franzino, muito magro mesmo e tinha a pele bastante castigada pelo sol, o que o deixava com um tom meio rosado.
Os dois se viam todas as semanas, pelo menos 3 vezes, mas nunca trocaram palavra, apenas olhares de encantamento e admiração. Ela, uma exímia bailarina, filha de pais mto ricos, nascida em berço de ouro, cercada de todo mimo e luxo que podia existir, super protegida ao extremo como se fosse uma boneca de louça. O motorista levava e buscava-a em todos os lugares, inclusive ás aulas de ballet, todas as segundas, quartas e sextas. A escola ficava num prédio todo envidraçado e altíssimo, as aulas eram no terceiro andar e dali Íngrid tinha uma visão panorâmica de toda a movimentada rua.
Ele, nasceu e se criou em meio a toda a marginalidade de uma das favelas mais perigosas da cidade e começou a ser explorado pelos pais desde mto pequeno. Depois de algum tempo oferecendo balas e doces nos sinais de trânsito, decidiu aprender algo q realmente pudesse chamar a atenção das pessoas, assim tornou-se um malabarista excepcional. Aos 11 anos engrossava a renda da família com seus belíssimos malabares e atualmente havia incrementado sua performance cobrindo a rosada pele com uma tinta prateada, dos pés a cabeça.
Num dia qualquer, enquanto olhava distraída através da vidraça, Íngrid reparou em um brilho q ofuscava sua visão com movimentos ágeis e sincronizados, colocou uma das mãos sob a testa pra tapar o reflexo do sol e conseguir enxergar melhor. Naquele dia descobriu o malabarista prateado, ficou dispersa por alguns minutos admirando a dança brilhante q o malabarista fazia com as mãos e os braços de uma forma quase mágica.
Foi tbm num dia comum como tantos outros que Zé Luís ficou paralisado ao reparar na beleza delicada e graciosa da bailarina envidraçada, sua roupa tinha um tom de rosa esmaecido profundamente agradável e seu corpo fino parecia uma pluma levada por uma brisa suave de um lado para o outro em passos q ele ñ entendia, mas q amava observar á distância como um telespectador secreto e encantado.
Essa admiração mútua, distante e silenciosa durou alguns meses. Íngrid começava então a sentir uma enorme vontade de chegar perto, de falar e tocar no malabarista prateado. Zé Luís tbm passava a sentir a mesma necessidade, de ouvir a voz, sentir o perfume e o toque de sua bailarina envidraçado. Demorou pouco pra entenderem q estavam sentindo pela primeira vez, o amor, e embora mto jovens, entendiam tbm q existia um abismo imenso entre eles e pela pouca idade q tinham era um abismo quase intransponível, pois ñ eram fortes o suficientes para brigar por esse amor e além do mais quem disse q o sentimento q nutriam era recíproco?
Íngrid passou a acreditar q parecia boba, infantil, fútil e mimada demais aos olhos do malabarista prateado, pois ele era tão independente, trabalhador, forte, esperto e devia achá-la uma dondaca inútil. Zé Luís pensava ser tão insignificante perante tudo o que sua bailarina envidraçada representava: luxo, elegância, inteligência, beleza, uma verdadeira princesa, q jamais ousaria imaginar q algum dia ela o veria com outros olhos.
E assim, mesmo completamente apaixonados, Íngrid e Zé Luís sucumbiram aos preconceitos sociais e silenciaram ao primeiro amor q sentiram na vida, ñ descobriram nem seus nomes e qdo recordam o passado lembram apenas q amaram uma bailarina envidraçada e um malabarista prateado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

CHARME E BELEZA

" O charme é mais importante que a beleza. Quando você envelhece a beleza pode acabar, mas o charme não acaba nunca, ele acompanha você até o fim". É mais ou menos isso q diz a personagem de Audrey Tautou para seu tímido e desajeitado admirador qdo ele se surpreende ao ouvi-la elogiar seu charme, no fofo e divertido filme Amar... não tem preço.
Eu concordo plenamente. A beleza eh efêmera e vazia se ñ vier mto bem acompanhada de inteligência, simpatia, generosidade, elegância e uma boa dose de charme. O tempo é cruel e devastador com aqueles q tem como única qualidade a beleza física, vc pode puxar por todos os lados, ele ñ perdoa mesmo. Agora, uma pessoa charmosa é praticamente irresistível. Graças a Deus q o dom de ser charmoso ñ depende da genética, tem mais a ver com postura, uma postura natural, leve, de bom gosto e um toque de sofisticação diante da vida.
Conheço pessoas belíssimas q enchem os olhos de qualquer cristão, mas qdo abrem a boca quase me levam as lágrimas, de tristeza, desespero, angústia ou horror. Como podem ser tão banais, vazias, fúteis, inúteis e ao mesmo tempo pretensiosas, arrogantes e acharem q estão "abafando"?
Em contrapartida, os charmosos "abafam" de verdade, em qualquer lugar q aparecem causam um certo frisson, são em sua maioria interessantes, cultos, divertidos e uma companhia deliciosa.
O charme ñ se defini em uma coisa só, tem várias nuances, pode estar num sorriso, num jeito de olhar profundo ou misterioso, no jeito q o cabelo é penteado pro lado ou como balança ao sabor do vento. Pode ser uma voz macia, suave, um caminhar delicado ou firme, o jeito como se mastiga, como se saboreia uma bebida. São inúmeros matizes, e qdo uma única pessoa consegue reunir todos eles, aí realmente fica difícil ñ babar.
Velhos são charmosos qdo preservam suas rugas com elegância e dignidade, qdo sorriem e a luz de seus sorrisos iluminam a face marcada pelo tempo. Gordos são charmosos qdo dançam sem vergonha do q as línguas maldosas vão comentar, qdo contam piadas q faz todos gargalharem e qdo se amam tão profundamente q ñ faz a mínima diferença o q os outros pensam a respeito das gordurinhas a mais q eles preservam com tanto carinho. "Nerds" são charmosos qdo explicam as equações e fórmulas mais absurdas para nossas pobres cabecinhas como se tivessem fazendo um sanduíche ou qdo ajeitam o óculos daquele jeito todo desengonçado.
É isso, o charme está ao alcance de todos, mas nem todos conseguem se apropriar dele. Tbm está mto nos olhos de qm vê, oq é charmoso pra mim pode ñ ser charmoso pra vc, mas isso já é uma outra história.
A questão é: vc prefere ser charmoso ou bonito? Se for os dois vc eh quase perfeito, está com a faca e o queijo na mão, vá em frente o mundo eh todo seu.
Se for apenas bonito, sinto mto, seus dias estão contados, embora vc pense q eh o máximo e ainda demore um pouquinho pra se dar conta disso.
Agora, se for charmoso, parabéns. Saiba usar seu charme da melhor maneira q puder, seduza as pessoas, agarre todas as oportunidades e abocanhe a vida com todos os dentes espalhando esse brilho reluzente q vc deixa por onde passa.