Para Murilo
Podíamos deixar que o tempo passasse, sábio e sorrateiro, e levasse de arrasto tudo o que ficou em suspenso, as explicações, as "DRs", as palavras muitas vezes tão desnecessárias. Você com sua natureza prática e fria certamente preferiria assim, mas eu não consigo, queria fazer algo formal, que esclarecesse em definitivo o fim dessa amizade, e sabe por que? Simplesmente porque essa solene despedida nada mais é do que uma carinhosa homenagem aos bons amigos que fomos, a tudo o que vivemos juntos, a como foi bom enquanto durou. Você que tantas vezes foi citado aqui neste blog como o amigo querido e especial, seria irônico se não fosse mencionado uma última vez como alguém realmente relevante, que sai de cena na história da minha vida, mas deixa deliciosas recordações.
Por que se acaba uma amizade?
Amizades são pra sempre, dizem alguns, e por muito tempo desejei e acreditei ardentemente que isso fosse verdade. Mas a vida se encarregou de me fazer entender que amizades inatingíveis são pra uns poucos felizardos, o que resta pra grande maioria dos pobres mortais são amizades ocasionais que duram por um tempo e depois se desfaz, assim como a nossa. Amizade datada, que no íntimo sabe-se que um dia vai acabar, só não se sabe quando. E enquanto dura é tão maravilhoso que deseja-se que seja eterno, mas quando se põe o coração de lado e pensasse com a razão entende-se que nesse insano mundo comtemporâneo o pra sempre, sempre acaba.
Mas por que a nossa amizade acabou?
Divergências? Falta de afinidade? Distância? Mágoas?
Nenhuma das alternativas anteriores.
Divergências resolve-se com diálogos e dialogar, falar, tagarelar era o que mais fazíamos. As vezes o silêncio fazia-se necessário, mas até sem palavras nos entendíamos.
Falta de afinidade quase não tínhamos, apesar de muito diferentes. Mas nossas diferenças é que dava o tempero exato na nossa amizade.
Distância nunca foi problema pra nós, ainda mais com todas as alternativas tecnológicas disponíveis.
Mágoas não as tenho. Você tem alguma?
Então por que? O que nos impede de continuar uma bonita e sólida amizade?
Pura e completa falta de interesse de ambas as partes. Deixou de ser bonita e prazerosa, deixou de ser especial, tornando-se apenas mais uma. Foi deteriorada pelo tempo. E chegamos nun ponto de lucidez em que insistir, remendar, reciclar não nos interessa mais. Preferimos ficar apenas com as lembranças boas dos primeiros dias, dos primeiros meses, do primeiro ano. Da cidade de Porto Alegre, que vai ser sempre nosso canto especial no mundo; das festas; das tardes no gasômetro, na redenção; dos filmes; dos conselhos; das confidências; dos barzinhos; dos desabafos; dos amigos em comum; do dinheiro contado; das risadas; dos deboches; dos planos; das implicâncias e da admiração mútua, porque sem ela uma amizade não dura nem 24 horas e a nossa foi muito além disso, compartilhamos dois invernos e duas primaveras.
E que tudo isso dure pra sempre, sem rancores e sem mágoas.
Talvez um dia nos encontremos novamente, mas até aqui adeus!
sábado, 26 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
DE MÁRIO QUINTANA PRA MIM

Relendo antigos poemas esquecidos na estante, um achado. Como se alguém que te conhece melhor do que você mesmo tivesse escrito especialmente pra você. O poema de Mário Quintana chamado BOLA DE CRISTAL
A praça, o coreto, o quiosque,
as primeiras leituras, os primeiros
versos
e aquelas paixões sem fim...
Todo um mundo submerso,
com suas vozes, seus passos, seus silêncios
- ai que saudade mim!
Deixo-te, pobre menino, aí sozinho...
Que bom que nunca me viste
como te estou vendo agora
- e é melhor que seja assim...
Deixo-te
com os teus sonhos de outrora, os teus livros queridos
e aquelas paixões sem fim!
e a praça... o coreto... o quiosque
onde compravas revistas
Sonha, menino triste...
Sonha...
- só o teu sonho é que existe.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
DIREITO DE SOFRER
Um homem com uma dor é muito mais elegante? No filme DIREITO DE AMAR a resposta é sim.Em seu primeiro longa, o diretor Tom Ford nos entrega uma história impecável, ao menos estéticamente. Tudo em DIREITO DE AMAR, da geladeira da cozinha ao abajur do quarto; dos acessórios ao figurino; dos tons pastéis e rosados da fotografia aos fascinantes closes, é uma perfeição nos mínimos detalhes.
O elenco, encabeçado pelo sempre charmoso Colin Firth, é pura exuberância. Julianne Moore, com seus belos olhos verdes, meticulosamente maquiados à perfeição egípcia; Ginnifer Goodwin, como uma pacata e simpática dona-de-casa, vizinha do protagonista; a novata Aline Weber, modelo brasileira que é praticamente um clone de Brigitte Bardot em seus áureos tempos de ninfeta, não diz uma palavra, mas inebria a todos com sua estonteante beleza e seus olhar fulminante; e Matthew Goode como o doce e amável companheiro de Colin, exalam uma graciosidade que nos faz submergir em uma história pouco original, mas profundamente sensível.
Acompanha-se então, as supostas últimas 24 horas de um homem que acorda decidido a tirar a própria vida. Na pele de George Falconer, um sofisticado professor universitário, Colin Firth nos envolve em uma dilacerante, porém discreta dor, ao traduzir em uma delicada interpretação, todo o sofrimento de um homem que perde seu companheiro, com quem viveu por 16 anos, num trágico acidente, sem ter ao menos o direito de viver seu luto publicamente, em plena década de 60.
O estilista Tom Ford, estreante atrás das câmeras, fez um filme bonito e sutil. Infelizmente, porém, tanto esmero estético, parece mais um artifício para distrair a atenção de uma trama pouco consistente. Ainda assim, eu gostei e recomendo. Para pessoas de bom gosto, com olhar apurado e alma sensível.
Resumindo o filme em apenas uma frase, tirada do próprio: "Ás vezes, até nas coisas mais horrorosas, há um ponto de beleza."

segunda-feira, 17 de maio de 2010
DICA DE FILME
Cerca de 2 meses atrás, ao conferir a programação de cinema no jornal à procura dos horários de algum filme do Oscar, me deparei com a sinopse de um filme que nunca tinha ouvido falar, por não ter tido nenhuma divulgação em mídia. Achei a sinopse interessante e resolvi conferir.Eu que estou sempre garimpando novidades, não me decepcionei. Ao contrário fiquei apaixonado.O filme Á MODA DA CASA é uma comédia rasgada e deliciosa, com algumas pitadas de drama. Fazia muito tempo que um filme cômico não me arrancava tantas gargalhadas. Dei muitas risadas, daquelas fortes, de perder o fôlego e os olhos lacrimejarem.
O filme espanhol do diretor Nacho G. Velilla, atende pelo título original de FUERA DE CARTA e conta a história de Maxxi, um chef de cozinha meio histérico, dono de um elegante restaurante, obcecado para ganhar uma estrela no guia Michellin e muito bem resolvido com sua homossexualidade. Até a morte inesperadamente de uma ex-mulher, que lhe deixa um casal de filhos para criar, o adolescente e rebelde Edu e a pequena e esperta Alba, frutos de um casamento equivocado. Para entornar ainda mais o caldo, Maxxi inicia um romance com seu novo vizinho, um ex-jogador de futebol enrustido, por quem a tresloucada maître de seu restaurante e melhor amiga se apaixona e tenta seduzir à qualquer custo, sem nem sonhar com o caso dos dois.
O filme com todos os ingredientes de um dramalhão mexicano, como já mencionei tem apenas pitadas desse gênero, pois te deixa com dores no estõmago de tanto rir. Claro que é tudo meio exagerado, pintado com cores fortes, bem ao estilo latino-europeu. Mas tudo funciona à perfeição, interpretações, produção, direção, é tudo ótimo. Com um elenco de atores espanhóis bastante expressivo capitaneado pelo magnífico Javier Cámara (o enfermeiro Benigno de FALE COM ELA) não poderia ser diferente. Javier, aliás, ganhou o festival de Málaga 2009 como melhor ator por este filme. Prêmio super merecido. Em diversos momentos do filme, Javier, com seus trejeitos e histerismos me lembrou Tony Ramos em SE EU FOSSE VOCÊ. O tom de humor da película, também lembra bastante as hilárias novelas de Sílvio de Abreu da década de 80 CAMBALACHO e SASSARICANDO. Enfim, um prato cheio pra quem quer simplesmente desopilar o fígado. Corra até a locadora mais próxima, sirva-se e delicie-se!!!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
ESSA TAL FELICIDADE
"A felicidade não existe, mas um dia acaba." (Danuza Leão)
Como diria Tim Maia, já rodei todo esse mundo procurando encontrar...
Procurei de todas as formas, em todos os lugares, em dezenas de pessoas, dentro de mim, mas a tal felicidade quando aparecia escapava rápido demais.
Cansado da interminável e frustrante procura pela permanente felicidade, resolvi esquecer, desencanar, parar de garimpar essa sensação de bem-estar e realização pessoal plena que todos buscam e almejam tão obstinadamente.
Fiz então, uma retirada estratégica do mundo insano, que me obrigava a encontrar a felicidade à qualquer custo, e mergulhei na simplicidade de um lugar pacato, pequeno e silencioso, onde não tem quase nada, mas tem o mar, a areia branca, as garças e as gaivotas que sobrevoam sobre mim enquanto descubro, observando o vai e vem das ondas mansas, que interromper as buscas, parar de querer encontrar a felicidade, pode ser a chave para tê-la. O desprendimento, não precisar da felicidade para ser feliz, essa é a verdadeira plenitude afinal.
Abaixo um texto de Martha Medeiros, uma visão poética e libertadora dessa tal felicidade:
FELIZ POR NADA
Geralmente quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar a sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir?
A vida não é um quastionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato preferido, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.

Como diria Tim Maia, já rodei todo esse mundo procurando encontrar...
Procurei de todas as formas, em todos os lugares, em dezenas de pessoas, dentro de mim, mas a tal felicidade quando aparecia escapava rápido demais.
Cansado da interminável e frustrante procura pela permanente felicidade, resolvi esquecer, desencanar, parar de garimpar essa sensação de bem-estar e realização pessoal plena que todos buscam e almejam tão obstinadamente.
Fiz então, uma retirada estratégica do mundo insano, que me obrigava a encontrar a felicidade à qualquer custo, e mergulhei na simplicidade de um lugar pacato, pequeno e silencioso, onde não tem quase nada, mas tem o mar, a areia branca, as garças e as gaivotas que sobrevoam sobre mim enquanto descubro, observando o vai e vem das ondas mansas, que interromper as buscas, parar de querer encontrar a felicidade, pode ser a chave para tê-la. O desprendimento, não precisar da felicidade para ser feliz, essa é a verdadeira plenitude afinal.
Abaixo um texto de Martha Medeiros, uma visão poética e libertadora dessa tal felicidade:
FELIZ POR NADA
Geralmente quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar a sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir?
A vida não é um quastionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato preferido, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.
quinta-feira, 18 de março de 2010
DO LUXO AO LIXO MUSICAL

Vamos falar de música?
Este post à princípio era pra falar sobre Lady Gaga. Sobre os motivos que me fazem gostar tanto dela. Visto que logo no início, quando ela começou a despontar na mídia, me parecia mais uma cantorazinha ao estilo Britney Spears, ávida por se tornar mais uma polemista de quinta, disposta a disputar o cargo de substituta oficial de Madonna. O que me fez repeli-la num primeiro momento, pois detesto tipinhos como os de Britney, que não cantam porra nenhuma e só conseguem chamar a atenção com letras pra lá de apelativas e coreografias que mais parecem posições do kamasutra, usando uma sensualidade forçada e requentada, que já não funciona mais.
Este post à princípio era pra falar sobre Lady Gaga. Sobre os motivos que me fazem gostar tanto dela. Visto que logo no início, quando ela começou a despontar na mídia, me parecia mais uma cantorazinha ao estilo Britney Spears, ávida por se tornar mais uma polemista de quinta, disposta a disputar o cargo de substituta oficial de Madonna. O que me fez repeli-la num primeiro momento, pois detesto tipinhos como os de Britney, que não cantam porra nenhuma e só conseguem chamar a atenção com letras pra lá de apelativas e coreografias que mais parecem posições do kamasutra, usando uma sensualidade forçada e requentada, que já não funciona mais.
Pois bem, depois de alguns meses e após a primeira entrevista de Lady Gaga à uma emissora de tv brasileira, comecei a prestar mais atenção na moça e percebi que seu estilo exagerado, chocante e por muitas vezes bizarro era muito mais do que uma simples estratégia de marketing para chamar a atenção da mídia e vender milhões de discos. Por trás de tanto glitter, roupas espalhafatosas e maquiagens nada convencionais está Stefani Joanne Angelina Germanotta, uma jovem de 23 anos, inteligente, sensível e consciente, uma artista nata, que escreve suas próprias letras, monta seus próprios figurinos e suas coreografias. E apesar do discurso clichê sobre a declarada identificação com gays, que parece ter se tornado obrigatório a qualquer artista pop que deseja fazer sucesso nas pistas de dança, a identificação é realmente verdadeira.
Lady Gaga sempre se sentiu diferente, dentro de um mundo que não era seu. Então resolveu criar seu próprio mundo e mesmo sendo de família rica, foi à luta sozinha sem o apoio dos familiares e conseguiu expressar da forma mais visceral e colorida possível toda sua essência, bem ao estilo gay de ser, com letras provocativas, voz forte, coreografias poderosas e muito glamour. Lady Gaga é puro luxo e eu adoro.
Mas como avisei no início, o post que era pra ser apenas sobre Lady Gaga e seu trabalho que admiro, acabou virando um post sobre música e seus intérpretes, o que presta e o que não presta, o que meus ouvidos e merecem e apreciam e o que não.
Enquanto pensava e elaborava essa crônica, meus sentidos foram invandidos durante as últimas semanas por duas "pérolas" do nosso atual cancioneiro brasileiro, essas musiquinhas de carnaval que explodem durante os fatídicos 5 dias de folia em fevereiro e a maioria da população brasileira de "muito bom gosto" adora e se esbalda. Aí as bandas que fizeram tremendo sucesso na festa de Momo, começam a invadir os mais "sofisticados" programas da tv brasileira: Domingão do Faustão, Superpop, Domingo Legal, Programa do Gugu e seus derivados.
Curiosos pra saber quais são as duas "maravilhosas" canções que invadiram meu dia-a-dia nas últimas semanas? Primeiro uma letra bem "sutil", que narra a história de Chapeuzinho Vermelho com o seguinte refrão: "vou te comer, vou te comer, vou te comer, vou te comer". Será uma letra muito apelativa em pleno efervescente carnaval de Salvador? Nããããããão, imagina!!! não tem nenhum duplo s
entido, apenas uma letra ingênua pra divertir as crianças no carnaval. O pior de tudo, foi ver essa banda chamada O Báck no programa da ilustríssima Luciana Gimenez, tentando convencer a si próprios de que iriam sobreviver a efêmera festa da carne. No palco, além dos seis rapazes com cara de recém saídos da adolescência, gabando-se por terem sido apadrinhandos por Ivete Sangalo, estavam duas modelos que foram rainhas, madrinhas ou sei lá o que do carnaval e um crítico musical voraz e impiedoso que me deleitou com suas opiniões venenosas e extremamente verdadeiras sobre o grupo e sua "encantadora" canção.
entido, apenas uma letra ingênua pra divertir as crianças no carnaval. O pior de tudo, foi ver essa banda chamada O Báck no programa da ilustríssima Luciana Gimenez, tentando convencer a si próprios de que iriam sobreviver a efêmera festa da carne. No palco, além dos seis rapazes com cara de recém saídos da adolescência, gabando-se por terem sido apadrinhandos por Ivete Sangalo, estavam duas modelos que foram rainhas, madrinhas ou sei lá o que do carnaval e um crítico musical voraz e impiedoso que me deleitou com suas opiniões venenosas e extremamente verdadeiras sobre o grupo e sua "encantadora" canção.Depois do tal programa da Lu, os rapazes parecem ter tomado chá de sumiço mesmo, como profetizou o tal crítico, que disse que em dois meses ou menos ninguém mais ouviria falar neles. Mas eis que surg
e na mídia, logo em seguida, pra não nos deixar esquecer que a lixeira musical brasileira pode ser inesgotável, o "sensacional" Rebolation. Liderado por um negrão sarado e tatuado, que provavelmente estará em breve nas páginas da G Magazine, o grupo Parangolé conta ainda com umas 5 ou 6 dançarinas vestidas de odaliscas eu acho (não dá pra identificar direito que roupa é aquela), que se requebram atrás do gostosão enquanto "o rebolation, o rebolation, o rebolantion tion, o rebolation" é executado. Mais um grande candidato ao grammy da cafonice e do mau gosto. O Rebolation realmente caiu na boca do povo, por enquanto até agora está firme e forte por aí. Só na mesma semana personagens da novela Cama de gato e do humorístico Zorra Total cantarolaram seu refrão. O que me consola é que o grupo lembra bastante o praticamente esquecido Harmonia do Samba, se seguir o memso caminho que ele pra mim já está de bom tamanho.Mas graças a Deus, ainda existem coisas que fazem meus ouvidos e meu coração felizes nesse país tão rico de artistas realmente talentosos e pouco conhecidos. Artistas como o mineiro Vander Lee. O cantor de 44 anos, tem um estilo que lembra Djavan e Chico César, é também compositor. Em suas letras fala de acontecimentos da vida cotidiana, e sempre com um lado romântico, fala de amor. Já gravou com grandes nomes da MPB como Zeca Baleiro, Elza Soares, Rita Ribeiro, Emilinha Borba, Leila Pinheiro e Nando Reis. Recentemente compôs a música Estrela que foi gravada pela cantora Maria Bethânia. Mas minhas músicas preferidas dele são Esperando aviões e Onde Deus possa me ouvir. Ouça e deixe sua alma fascianada e encantada.

domingo, 14 de março de 2010
DA SÉRIE: OS FILMES DA MINHA VIDA - HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO (5)
Após 15 anos na prisão por ter assassinado o próprio filho, um garotinho de 5 anos, Julliete conquista novamente a liberdade. Quem vai buscá-la na prisão é a irmã mais nova, Léa, única família que lhe restou. Léa leva Julliete pra sua casa, com uma família estruturada, Léa mora com o marido, as dua filhas e o sogro e acolhe Julliete em seu lar com todo o carinho.
Todo o tempo existe uma preocupação da parte de Léa, em ser agradável com a irmã, puxando conversa, revelando o quanto sentiu sua falta, deixando-a à vontade, mas com o cuidado de não tocar em assuntos constrangedores, porém Julliete é seca e suscinta. Fala o mínimo possível, não consegue nunca sorrir e através dos profundos olhos verdes demonstra toda a amargura contida, uma tristeza intransponível.
Em HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO, viájasse por um universo de emoções dilacerantes. São aquelas emoções que por mais que você tente, por mais que se verbalize, nunca vão parar de sufocar. Julliete matou o próprio filho, pagou pelo crime, a irmã não entende, mas a ama e tenta demonstrar todo esse amor da forma mais doce possível, afinal sua irmã já pagou o que devia à sociedade, mas existirá sempre o ponto de interrogação, por que? Eis aí o amor incondicional.
Julliete, apesar da aparência abatida, logo no primeiro momento já parece forte e confirma isso no decorrer da trama através de sua postura firme e elegante. É uma mulher inteligente, bonita, culta, envolvente. Mas por que essa mulher tão interessante cometeu um crime tão abominável? Os sentimentos se confundem. Será mesmo que ela fez isso, será que foi um acidente, será ela uma psicótica-neurastênica que tirou a vida do filho num acesso de loucura, será que armaram pra que ela fosse presa acusada desse crime, e pela dor de perder um filho tão precocemente ela aceitou pagar sem resistências por um crime que não cometeu?
Será os sentimentos de Léa tão puros e incondicionais quanto ela demonstra ser? Por quanto tempo uma pessoa fica aprisionada à uma culpa tão devastadora? Com o passar do tempo Julliete vai deixando de lado a dura cerviz e dando lugar a uma mulher mais desarmada, abrindo a guarda sutilmente, mas os fantasmas do passado sempre pairam no ar. Julliete têm dificuldade em se envolver amorosamente, sente necessidade de amor, mas o pavor de que descubram o que passou a paralisa.
Julliete consegue aos poucos, com muito esforço voltar a viver, ganha um emprego, conquista a confiança do cunhado que a princípio não a enxerga com bons ohos dentro de sua casa, interage socialmente, monta um apartamento, curte os pequenos prazeres da vida como passeios no parque, a leitura de bons livros e visita a museus e finalmente nos entrega um sorriso.
O filme lindamente dirigido pelo estreante Philippe Claudel e estrelado por uma fascinante e enigmática Kristin Scott Thomas além de uma belíssima fotografia e produção impecável, culmina na emocionante revelação de Julliete para a irmã Léa, do verdadeiro motivo de seu crime, ao som de uma deslumbrante música francesa, que até então eu desconhecia, na interpretação do cantor Jean Louis Aubert. Depois de uma profunda viagem emocional termina com chave de ouro ao som de versos como estes:
" Na fonte clara eu fui passear
Encontrei a água tão suja que eu teria chorado
Há muito tempo que tudo desaba
Jamais sobreviverei
Sobre o mais alto galho, um pássaro depenado
Chora oh rouxinol, chora
Você não pode mais voar... "
Abaixo os links com o clip da música e o trailler do filme:
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