quarta-feira, 31 de outubro de 2012

LONDRINA

Cheguei numa madrugada de fevereiro de 1997. Era cinco da manhã. As folhas das árvores dançavam lentamente ao sabor da brisa suave da escuridão. Carregava o peito cheio de esperança e medo, mas ao percorrer aquelas ruas limpas e largas rumo ao meu novo lar, senti que poderia ser feliz naquele lugar. Gostei da cidade e do ar de glamour que ela exalava. A primeira impressão foi de encantamento. Imaginei que os primeiros raios de sol me traria agradáveis surpresas.

Tinha saído de uma cidade nordestina no estado de Sergipe, um lugar sem muita beleza, tirando as praias, e nenhum glamour, o extremo oposto de Londrina, mas onde vivi os melhores dois anos da minha vida. Convivi com pessoas, calorosas, hospitaleiras, alegres, fiz amigos muito especiais e passei por experiências que só se vive uma vez, como o primeiro beijo e o primeiro amor. Por isso ao partir fui em prantos. Sem opção de escolha, só me restava torcer para que tudo desse certo e eu pudesse encontrar pessoas tão incríveis quanto aquelas que estava deixando pra trás.

Londrina é a segunda maior cidade do estado do Paraná, fica na região Norte e possui mais de 500 mil habitantes. É uma cidade agropecuária, sendo bastante famosa pelo cultivo de café. Também tem uma das melhores universidades estaduais do Brasil, a UEL (Universidade Estadual de Londrina), atraindo assim estudantes de todo o país. Sendo assim, é uma cidade relativamente rica, que abriga muita gente esnobe.

No início foi bem difícil a adaptação. Acostumado com gente e hábitos simples, de repente me deparei com pessoas que tinham muito mais do que eu em sentido material. Carro, casa própria, escolas particulares, viagens internacionais, lugares caros. E eu, que nunca havia me sentindo desvalorizado por ser pobre, comecei a me sentir discriminado e foi uma das piores sensações que já tive. O ambiente não era propício, havia um desencaixe entre eu e aquela nova sociedade que se desvelava diante de mim e isso me matava. Eu queria, precisava desesperadamente fazer parte de algo, me sentir inserido, como era em Aracaju.

Como era em Aracaju nunca foi, mas aos poucos as coisas foram se encaixando. Comecei a ir muito ao cinema, principalmente no Shopping Catuaí. Apesar de amar cinema, nos dois anos que vivi em Aracaju não fui nenhuma vez, lá eles não tem muito o hábito, mas outras coisas compensavam essa falta. Em Londrina recuperei o prazer pelo cinema. Outra coisa gostosa, que eu adorava fazer, era caminhar no Parque Igapó, que ficava nos arredores da minha casa, localizada num bairro delicioso próximo ao centro. Pessoas de todas as partes da cidade frequentavam o Igapó, para se exercitar, passear, namorar, ensaiar, etc... Lá, tinha uma concha acústica onde o povo ensaiava peças, coreografias e de vez em quando até rolava uns shows. Me lembro de um do Chico César, que vi e ouvi de relance ao passar por lá numa noite. Tinha também a Feirinha da Lua, todas as noites de quarta-feira. No meio da semana era de lei passar lá pra comer o melhor pastel da cidade. Próximo de casa tinha também o Moringão, um salão grande, onde ocorria diversos eventos, como formaturas, shows, competições, eventos religiosos. Uma vez fui num show do Cidade de Negra com a Kássima, uma colega do colégio. O Super Muffato o melhor mercado da cidade, na minha opinião, pertinho de casa, chamado carinhosamente de Muffatão. O Valentinno, um bar gls, que da janela do meu quarto eu via os fundos e ficava imaginando como seria lá dentro. Alguns anos depois eu mataria minha curiosidade.

Eu morava com meus pais num apartamento simples mas aconchegante, na rua Raposo Tavares. Estudava no melhor colégio público da cidade, a Escola Estadual Professor Vicente Rijo. Quando comecei estava na sétima série e foi muito bom. As pessoas não entendiam como eu tinha conseguido vaga tão rápido, já que quem vivia lá a mais tempo não conseguia se matricular, a escola era exigente pra aceitar novos alunos. Nunca soube o motivo, só sei que me matriculei sem grandes dificuldades, penso que justamente por ser de fora, eles me deram preferência. Minhas primeiras amigas foram a Kássima e a Ângela. Vivíamos grudados, dentro e fora da escola. Quando acabava as aulas, ficávamos de papo nas esquinas, as vezes íamos pra praça, pro shopping, tomávamos sorvete e ríamos. Ríamos de tudo, por qualquer bobagem, tudo era alegria, tudo era maravilhoso. Tínhamos 15, 16 anos, tínhamos obrigação de ser feliz. Todos gostavam de Kássima, ela era popular, expansiva, grandona e bonita. Quem não gostava dela tinha inveja, geralmente meninas que a encaravam como rival. Ao lado dela eu ficava mais feliz que pinto no lixo, o bulliyng que me perseguiu em todas as escolas, diminuiu bastante, quem não falava comigo, pelo menos me deixava quieto. A pergunta que não queria calar, era por que uma garota tão popular como ela havia me feito seu melhor amigo. Eu era o novo brinquedinho dela, o amigo gay que ela queria exibir pra todos, mostrando como era moderna e descolada. Demoraria algum tempo até descobrir sua verdadeira personalidade.

Paralelamente aos colegas da escola, outras pessoas bacanas foram surgindo na minha vida. A Cláudia era vizinha, morava no mesmo prédio que eu. Divorciada, tinha dois filhos, Paula e Douglas. Era massagista e uma ótima contadora de piadas. Fazia o melhor arroz que eu já comi na vida. Sonhava em conhecer a Suécia, onde vive hoje. A Martinha, também morava no prédio. Era magrinha, pequenininha, quieta, mas muito querida. Solteira, morava sozinha. Trabalhava na biblioteca do Colégio Anchieta. No mesmo prédio ainda morava a Leda com o filho Luís Henrique. E aquela que se tornou minha maior amiga, confidente e companheira Luzia Gondim, com quem trocava figurinhas sobre filmes em papos intermináveis. Essas foram as primeiras pessoas com quem formei um círculo de amizade. Fazíamos churrascos maravilhosos, varávamos madrugada a dentro jogando um carteado, nos acabávamos em rodízios de pizza e era bom demais!

Foram cinco anos em Londrina, cinco intensos anos. Morei em três casas diferentes. Primeiro foi no prédio da Raposo Tavares. Depois fomos pra uma casa na rua Canudos, ainda no mesmo bairro e por fim mudamos para o Jardim San Remo, onde vivemos na rua Uberlândia até o último dia. 

Com o passar dos anos fui conhecendo outras pessoas e estreitando laços. Na escola fiquei muito amigo da Vívian e da Nadege, essa quase uma irmã pra mim. Vívian era tão espetaculosa, como eu gostava daquela menina, galinha e piranha na boca de muita gente, mas verdadeira e autêntica pra mim. Nadege era um sonho, doce, meiga, carinhosa, generosa. Minha irmãzinha do coração. Já estava na oitava série quando fiquei mais próximo das duas. Nesse período, Kássima já se mostrava interesseira, calculista, alguém não muito confiável e fui me desapegando aos poucos. Naquele ano, montamos uma peça e fomos entrevistados num programa de televisão local por causa dela. Foi um momento memorável! Nossa turma era a melhor, éramos unidos, tínhamos uma intimidade natural de pessoas que conviveram diariamente durante dois anos, mas quando o fundamental acabou uma nuvem negra pairou sob o meu coração. Estávamos separados no ensino médio. Pra mim particularmente foi péssimo, serviu pra que me afastasse definitivamente de Kássima e isso não foi tão ruim assim, porém, Vívian mudou de colégio e Nadege foi pra outra turma. Eu estava sozinho, cercado por um monte de gente estranha dentro da sala de aula e o bulliyng voltou com força total.

A situação estava horrível na escola, me encontrava com Nadege em todos os intervalos, mas não era o suficiente pra deixar de me sentir péssimo, as aulas eram um tormento perto de toda aquela gente com quem não tinha nenhuma afinidade. Na vida fora da escola, as coisas tinham que ficar um pouco melhores. Conheci gente nova, a Erica e sua irmã Eliane. A Fernanda, a Amanda e a mãe delas, Vânia. Foram pessoas essenciais pra tornar o tempo que passei em Londrina significativo, algo que realmente valeu a pena. Nesse mesmo ano eu e Erica fizemos um curso de cabeleireiro, que deixamos pela metade. Foi também o ano que comecei a frequentar as audições de piano dos irmãos Pâmela e Stellios, que moravam na mesma rua que eu, a Uberlândia e vez ou outra me convidavam pra um café, onde era servido um patê maravilhoso de berinjela, receita da terra do pai deles, a Grécia.

Em 2001, último ano na escola e também na cidade, fui questionado se gostaria de mudar de turma. Não pensei duas vezes, escolhi a turma onde Nadege estava e foi perfeito, nossa amizade se fortaleceu de tal maneira, que eu tive certeza que ia levá-la pra vida inteira. E aquele ano foi sensacional. O aniversário da Nadege. Vívian me levando ao Valentinno. A festa surpresa nos meus 20 anos. Minha primeira balada gls. E tantos momentos ínfimos que se tornaram grandiosos em minha lembrança afetiva. Risadas, encontros, dancinhas, a solidão de noite na janela do quarto, fofocas, picuinhas, ciúme, rejeição. O show da Cássia Eller, o primeiro emprego, estudar de noite. O carro arranhado, as músicas da Adriana Calcanhoto, "O Terceiro Travesseiro", "Fica Comigo Gay", "Presença de Anita", o retorno daquele primo, as cartas trocadas, "Disque Amizade", a tarde dos meus 17 anos esperando o ônibus na chuva.

Assim foi Londrina em minha vida, uma imensidão de emoções, descobertas, amadurecimento. A transição de um adolescente pra um adulto. Enquanto estive lá, eu achei que não amava. Hoje posso afirmar, eu amei. Ah, como eu amei!

domingo, 28 de outubro de 2012

ANDRÉ, MARCELO E SABRINA

Gosto de falar e escrever sobre pessoas. Esse texto é uma pequena homenagem a três pessoas muito queridas. Falarei um pouco sobre cada uma delas. Sobre como nunca imaginei que amizades virtuais pudessem ser duradouras e significativas.

Nunca acreditei nesse tipo de amizade, achava que o virtual era apenas uma ponte para que num curto espaço de tempo se conhecesse cara a cara a outra pessoa. Mas neste caso específico, os anos foram passando e embora nenhuma possibilidade de um encontro ao vivo e a cores surgisse, os contatos foram se estendendo e fortalecendo-se.

Tudo começou com a febre dos "blogs". Eu tinha e ainda mantenho esse "Borboletas na Janela". O praticamente finado "orkut" tinha comunidades onde blogueiros se reuniam para ler e comentar postagens em blogs de pessoas desconhecidas que mantinham contato apenas por ali. Pra que a brincadeira funcionasse bem, você devia ler e comentar, mesmo os textos que você não curtia nem se identificava, pra ficar uma coisa imparcial. Eu mesmo fazia um esforço descomunal pra ler blogs com temas que não me apetecem de maneira nenhuma, como futebol e política, até por uma questão de respeito. Só que no meio dessa profusão de blogs que surgia, sempre tinha aqueles que me encantavam, dava um prazer imenso ler, tinha um sabor todo especial, era uma alegria!

Entre eles estavam "Histórias do Arteiro" (hoje "Loucos por Cinema"), "Diz que Fui por Aí" e "De Volta ao Meu Eu" respectivamente do André, do Marcelo e da Sabrina. 

O André escrevia exclusivamente sobre filmes. Pra mim, um apaixonado por cinema, um prato cheio. Mas o que tornava especial suas postagens, era a forma simples e amorosa como ele colocava suas impressões sobre os filmes, o que me fez ter uma identificação imediata com sua maneira de sentir as histórias. Lembro que a primeira postagem que li, me chamou a atenção pelas belas imagens das fabulosas atrizes Cate Blanchett e Kate Winslet, esta segunda uma de minhas atrizes preferidas. O texto falava sobre os concorrentes ao "Oscar" daquele ano de 2009. Cate estava em cartaz com "O Curioso Caso de Benjamin Button" e Kate com "O leitor" e "Foi Apenas Um Sonho". Dali em diante não parei mais de seguir o talentoso e criativo André Arteiro, que mora em São João de Meriti no estado do Rio. Já gravou vários vídeos satíricos das estrelas pop internacionais como Lady Gaga, Kesha, entre outras. É enfermeiro (me corrija se estiver errado André). Participou do Vídeo Game da Angélica com o tema Vale Tudo, sua novela favorita, mas infelizmente não ganhou. É muito bem casado. Fã incondicional e fervoroso de Patrícia Marx. Amigo carinhoso, sincero, doce e acima de tudo um guerreiro que apesar das agruras da vida e armadilhas do destino, nunca perde a alegria e nem tira o sorriso meigo do rosto.

Já o Marcelo Antunes é uma "figura". O blog dele me chamou atenção por ser principalmente bem escrito, sempre com uma pitada de humor. Ora ele discorria sobre comportamento como no texto "Martíni com Cereja", ora sobre cinema em "Amigo, estou aqui...", ora atacando de contista com textos recheados de erotismo, como no caso de "Quatro e Vinte" e "Encontro Marcado" para citar apenas dois, por que o cara tem um vasto repertório quando se trata de histórias de sacanagem. Marcelo é assim, bem eclético, inteligente e "palhaço". Mora no Rio de Janeiro. É professor. Adora cinema também. É viciado no facebook. Está a procura de sua cara-metade (não está Marcelo?) e anda bem vagabundo ultimamente pra escrever, faz mais de 3 meses que não atualiza seu blog. Isso sim, é sacanagem.

Enfim Sabrina. Ah, minha doce Sabrina! Ela é romântica, sensível, mãe, esposa e mulher dedicada a tudo aquilo que ama. Quando descobri seus textos num blog romanticamente soturno, me pareceu que passava por uma fase conturbada em sua vida amorosa e ali derramava toda sua dor e anseios (é isso mesmo Sabrina?). Gostei daquela moça corajosa, que expunha seus sentimentos sem medo de parecer ridícula, piegas e insegura. Eu também era um pouco como ela e ao lê-la era como se estivesse lendo um diário íntimo. Deixei de seguir seu blog depois de um tempo por estar em outra vibe, e hoje nem sei se ela ainda o mantém, mas a amizade permaneceu através das redes sociais. Hoje percebo-a em suas fotos e postagens, mais leve, segura e feliz. Parece que a gaúcha Sabrina Silveira Anhaya, minha conterrânea que vive em Passo Fundo, está realizada e plena, e isso me deixa feliz. Sua simplicidade a torna iluminada.

E isso tudo eu sei e sinto, mesmo não os conhecendo pessoalmente, porque acredito sinceramente na máxima de que "os seus se reconhecem". Toda aquela empolgação dos "blogs" já ficou lá no passado, num relativamente distante 2009, onde tínhamos gana de escrever, expondo nossas opiniões, ideias e sentimentos, mas esse desejo de continuar sendo o melhor que pudermos, e continuar mantendo contato pra que um dia possamos nos abraçar, rir e comemorar toda essa tecnologia, que nos uniu de certa forma, permanece.

Um dia eu sei que nos veremos olhos nos olhos e esse abraço será inevitável. Obrigado amigos!

sábado, 13 de outubro de 2012

DA SÉRIE: OS FILMES DA MINHA VIDA - UM BEIJO ROUBADO (9)

Era 22 de maio de 2008, quinta-feira. Lembro nitidamente desse dia. Minha folga da cafeteria. Foi um dia especial por estar com colegas de trabalho pela manhã numa reunião da empresa, onde me diverti, apesar da ocasião não muito propícia. Reuniões de trabalho não costumam ser divertidas, ainda mais no dia da sua folga, mas essa foi. Depois, um almoço farto na companhia de colegas adoráveis. Quando anoiteceu, visitei uma amiga em seu apartamento no Bomfim. Batemos um papo gostoso sobre livros, viagens e gatos. Pra terminar a noite encontrei Murilo, Sérgio e Eduardo na Cidade Baixa e nos acabamos numa lanchonete em meio a muitas risadas e histórias engraçadas. Voltei pra casa passando mal de tanto que comi. Porém no meio da tarde, entre a reunião de trabalho e o encontro com amigos, o momento mais inesquecível do dia, a sessão do filme "Um Beijo Roubado" no cinema GNC do Shopping Moinhos de Vento. Aquele momento, os 94 minutos que fiquei completamente absorto naquela sala de cinema, foram de total ternura.

Era Norah Jones, a cantora de voz doce que eu tanto gosto que fazia sua estréia no cinema, já como protagonista. Uma mocinha romântica daquelas bem típicas, junto com nada mais nada menos, que meu muso Jude Law. O filme, um romance rasgado, bem água com açúcar, cheio de lágrimas, suspiros, desencontros e um arrebatador beijo roubado que resumi bem toda a história, era simplesmente irresistível, a minha cara.

"Um Beijo Roubado" reuniu todos os elementos que me encanta em um filme, um elenco apaixonante a começar pelos protagonistas já citados, tinha ainda a exuberante Rachel Weisz e a fofíssima Natalie Portman loira e de cabelos curtos, arrasando na pele de uma viciada em jogo. Uma trilha impecável e a fotografia estonteante.

Num texto que falava sobre o filme, a escritora Martha Medeiros o definiu como uma "poesia filmada". Concordo plenamente, acho que essa definição resumi bem o espírito desse romance que tem como título original "My Blueberry Nights" (Minhas noites de mirtilo), que é um título mais que perfeito. Porém, ele também poderia se chamar "Jornada de um coração partido" já que conta a história de Elizabeth, uma mulher que após ser traída e abandonada pelo  namorado começa a frequentar todos os dias o pequeno e charmoso café de Jeremy, local que costumava ir sempre com ele na esperança de reencontrá-lo. Lá, Elizabeth passa várias noites chorando suas mágoas para um paciente Jeremy, que a ajuda a afogá-las com deliciosas tortas de mirtilo, o reconforto da doçura. Só que diante da delicadeza frágil da machucada Lizzie é impossível para Jeremy não se apaixonar, mas para não parecer um aproveitador insensível ele age com muita cautela, mostrando seus sentimentos com toda a sutileza.

Algumas noites na companhia de Jeremy, regadas a muitas lágrimas e torta de mirtilo se passam, e Elizabeth, ainda machucada, decide viajar pelo estado pra tentar esquecer o homem que a abandonou. Com o coração partido, ela embarca numa jornada que lhe dará uma nova visão da vida, encontrando pessoas e vivenciando situações que a fazem amadurecer e entender que a dor é parte inevitável desse caminho que percorremos enquanto vivos. Aprendida a lição e refeita da dor, Elizabeth volta inteira e pronta para viver um novo amor ao lado de Jeremy.

  

domingo, 30 de setembro de 2012

OS QUASE-GAYS DE JOÃO EMANUEL CARNEIRO

João Emanuel Carneiro já pode ser considerado um dos melhores novelistas de sua geração. Com quatro novelas de grande sucesso no currículo, o autor arrebata os telespectadores a cada nova estória. São tramas dramáticas, recheadas de suspense e muito bem costuradas, que hipnotizam o público a cada capítulo sem cair na enrolação, a famosa "barriga" que quase toda a novela possui.

Além das tramas principais que são sempre envolventes, os demais núcleos sempre possuem narrativas charmosas e divertidas, com personagens bem delineados que seguram bem a estória tornando-a deliciosa como um todo. Eu, definitivamente, adoro João Emanuel e suas novelas, desde DA COR DO PECADO em 2004 até a atual AVENIDA BRASIL de 2012.

Como nem tudo é perfeito, algo me incomoda profundamente nas novelas de João Emanuel Carneiro. Era algo que até então eu não tinha parado pra pensar, mas fazendo um retrospecto de suas 4 tramas exibidas pela Rede Globo: DA COR DO PECADO, COBRAS E LAGARTOS, A FAVORITA e AVENIDA BRASIL, percebi que todas tem um personagem quase-gay, ou seja, aquele sujeito que tem tudo pra ser, demonstra tendências, ilude o telespectador, mas no final das contas é heterossexual ou quase isso.

Em DA COR DO PECADO (2004) temos Abelardo, rapaz sensível e delicado, criado numa família de lutadores, com quatro irmãos machões, que tem aversão pelas artes marciais e sonha em ser maquiador. Em interpretação luminosa de Caio Blat, pra mim o melhor personagem de sua carreira e o meu preferido quase-gay de todos, Abelardo foge como o diabo da cruz de Tina (Karina Bacchi), maria-tatame que já ficou com todos os seus irmãos. Pra completar, em determinado momento da trama Abelardo encontra um companheiro, Íris, um rapaz que tem as mesmas afinidades e juntos os dois competem em um concurso que vai eleger um maquiador para Madonna. Embora a sexualidade de Abelardo fosse questionada a todo momento pelos familiares por causa de suas tendências artísticas, nunca foi mencionado pelo próprio uma preferência pelo mesmo sexo, deixando sempre no ar uma dúvida, mas tudo nele era tão gay que os telespectadores tinham certeza. Só que no fim das contas Abelardo revela-se hetero, ficando com Tina e assumindo a paternidade de seus filhos juntamente com os irmãos Dionísio (Pedro Necshlling) e Thor (Cauã Reymond).

Na novela seguinte, COBRAS E LAGARTOS (2006), o autor nos apresenta Tomás (Leonardo Miggiorin), logo de cara rotulado como metrossexual. Se para o público ficava evidente logo de início que Tomás não era gay, para os personagens da trama não. Justamente por ser extremamente vaidoso, usando sempre cremes pra pele, fazendo tratamentos para o cabelo e abusando de roupas justas, coloridas e exóticas, Tomás era vítima de piadinhas e insinuações, até começar um namoro com a estilista Sandrinha (Maria Maya), com quem formou uma hilária dobradinha. Embora ficasse explícita a preferência sexual de Tomás, minha pergunta é: por que essa fixação de João Emanuel pela dubiedade sexual em seus personagens? Mas não termina por aí...

Em 2008, JEC nos brinda com sua primeira novela no horário nobre, a inovadora e sensacional A FAVORITA. Tudo perfeito, até o personagem Orlandinho de Iran Malfitano, esse sim gay de verdade, loucamente apaixonado por Halley (Cauã Reymond), casar-se com Maria do Céu (Deborah Secco) e após relutar de todas as formas, render-se a uma paixão heterosexual pela então esposa de fachada. Vergonha das vergonhas transformar um personagem gay em hetero sabe-se lá por que cargas d'água. Como se na vida real fosse assim: hoje sou gay, amanhã sou hetero. Sentimento de revolta por ter amado tanto uma novela que me fez de idiota com um personagem quase-gay.

Por fim chegamos ao grande sucesso do momento, a cinematográfica AVENIDA BRASIL (2012), onde temos Roni (Daniel Rocha), Roniquito pros mais íntimos. Jogador
de futebol, Roni não assume sua sexualidade, porém percebe-se envolvido por
Leandro (Thiago Martins) e tem ojeriza a Suellen (Ísis Vaverde), maria-chuteira que já passou pela cama de todos os boleiros do bairro. O problema é que Leandro é louco por Suellen e por ironia do destino Roni acaba se casando com ela e indo pra cama também. Neste momento da novela, os dois já estão separados e Suellen investe em Leandro, que começa a ganhar dinheiro com o futebol. Roni curte uma dor de cotovelo, mas até agora nada de se assumir. Resta esperar mais algumas semanas pra saber o desfecho desse triângulo e descobrir se teremos afinal mais um quase-gay em mais uma trama de João Emanuel Carneiro. Porque tendo em vista que o autor me parece ele mesmo ser gay na vida real, essa fixação por retroceder a homossexualidade de seus personagens demonstra uma não-aceitação inconsciente de sua própria sexualidade. 

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

UM LUGAR CHAMADO XINGÓ


Se a felicidade são apenas momentos de alegria, nesse lugar inóspito e histórico, situado entre o interior de Sergipe e Alagoas, eu fui intensamente feliz por três breves dias. Foram dias de sonho. 

Xingó. Esse lugar, embora quase deserto e tão distante, me proporcionou momentos inesquecíveis. Tão inesquecíveis que até hoje, mais de 15 anos depois, as lembranças continuam vívidas e frescas na minha nostálgica memória.

Foi um tempo de ternura. Éramos jovens, cheios de vida, vigor, esperança e ilusões. Cheios de amor. Ríamos de qualquer coisa, fazíamos piada de tudo, nada nos escapava. Tudo era motivo pra festa. A felicidade sempre estampada em nossos rostos lisos e cheios de viço.

Foi ali em Xingó que os laços se fortaleceram e a intimidade se intensificou. Com Diana, Suzana, Edvan, Alexandre, Pablo, Cléber, Deives, Daniela e Samuel meu mundo era completo. Cada um a seu modo era muito especial. Edvan era o palhaço da turma, as vezes com apenas uma expressão arrancava gargalhadas de tirar o fôlego. Diana e Suzana eram as irmãs que sempre tinham uma palavra amiga quando alguém precisava. Sensatas, carinhosas, equilibradas, eram as conselheiras do grupo. Era no colo delas que todo mundo ia chorar as mágoas quando algum problema afligia. Alexandre era o culto, com ele dividi deliciosos momentos de música e poesia. Pablo era o desencanado. Cléber, o tenso. Deives, o responsável. Daniela era nossa dançarina, hiperativa e dona de um sorriso sempre escancarado e Samuel, uma utopia romântica. O primeiro amor platônico, impossível e não correspondido.

Juntos em Xingó, nunca fomos tão felizes ao som de Legião Urbana em "Somos tão jovens": todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou...
 

sábado, 1 de setembro de 2012

O PRÍNCIPE DAS MARÉS?


Era feriado, um feriado qualquer. A noite estava agradável, convidativa. Saiu em direção a praia, queria caminhar a beira-mar. Precisava pensar na vida. Andava aflito, reflexivo, cheio de preocupações. Estava bem vestido, perfumado. Sempre que fazia seus passeios noturnos, tinha o desejo ilusório de encontrar alguém pelo caminho, alguém especial. Para apenas uma noite ou algo permanente, a ilusão sempre presente.

Percorreu o calçadão. Contemplou os jardins. Viu pessoas bebendo, rindo, abraçando e se beijando nos quiosques. Crianças andando de bicicleta. Gente passeando com seus cães. Adolescentes se agarrando. Sentou-se num banco em frente ao reduto onde rapazes se exercitavam. Observava os belos corpos movimentando-se. Uns saíam, outros chegavam, mas um permanecia.

Naquela noite solitária, estava especialmente melancólico. Os rapazes lindos e musculosos, chamavam sua atenção, mas não a prendia. A cabeça estava longe, um tanto quanto atormentada. A lua estava cheia, branca e brilhante, olhava pra ela e com o coração apertado, pedia que lhe trouxesse algo bom. Admirava o reflexo de sua luz no mar e se sentia bem.

Quando tornou a olhar os rapazes, percebeu que todos já tinham partido, exceto um. Aquele que estava lá, desde que sentou-se no banco, e não saiu, não parou em nenhum momento de exercitar-se. Não conseguia acreditar, mas tinha a impressão de que o rapaz o olhava e sorria pra ele. Era muito bonito e tudo parecia surreal, achou que estava delirando. Via-se extremamente comum, quase sem graça, incapaz de atrair alguém tão atraente.

Teve certeza de que era o alvo do belo rapaz quando este se aproximou e puxou assunto. Seu nome era Carlos. Ficou nervoso com a aproximação, sem jeito. O corpo, o charme e o sex appeal de Carlos o perturbava. Achava que pessoas como ele gostavam só de pessoas que fossem seu próprio reflexo. 

Inseguro, falou pouco, mediu as palavras, respondia só o que Carlos lhe perguntava. Então veio o convite para que corressem na areia, sem rumo. Diante do rapaz de bermuda e sem camisa, alegou que não estava vestido apropriadamente pra correr com calça jeans e camisa. Mudou a proposta então, para uma simples caminhada. Ele topou na hora, um deus grego como aquele convidando-o pra caminharem juntos à beira-mar, era mais do que ele havia pedido pra lua. 

Então caminharam e conversaram, falaram sobre exercícios físicos, que era o assunto preferido de Carlos e falaram sobre o desejo de se beijarem e passarem aquela noite juntos, mas de repente Carlos cansou de caminhar e resolveu correr. Insistiu mais uma vez com ele que corresse junto, a seu lado, que ia lhe fazer bem, mas ele não quis, estava com preguiça de correr. Prometendo que correria alguns metros e voltaria para reencontrá-lo, Carlos se foi.

Sentia-se presenteado pelos céus ao ver aquele homem atlético, forte e cheio de músculos correndo pela praia, deixando a promessa de que logo voltaria pra lhe proporcionar uma noite cheia de prazer e delícias. Mas, ao ver Carlos desaparecer na escuridão, sem nenhum sinal de volta, seu semblante começou a desvanecer. Andou mais depressa pra ver se o enxergava ao longe, mas não viu mais nada, parecia ter desaparecido como fumaça, como se a escuridão o tivesse tragado.

Ficou parado, incrédulo, olhando pra todos os lados. Algum sinal daquele homem fabuloso tinha que aparecer. Inconformado pensou, como pôde ser tão burro em acreditar que um homem daqueles ia querer algo com ele ou tão tolo de não tê-lo seguido, corrido ao seu lado como ele queria? De qualquer modo estava acabado, aquele breve sonho havia chegado ao fim. O resto eram só conjecturas. Seja o que tivesse sido aquilo, Carlos seria pra sempre o seu "príncipe das marés".   

domingo, 26 de agosto de 2012

A VIDA COMO ELA É POR "QUEER AS FOLK"



Foi em uma cena específica na metade do primeiro episódio de Queer As Folk, que me vi irremediavelmente apaixonado pela série. Na cena, os amigos de infância Bryan e Michael conversam no terraço do hospital onde Lindsay, a amiga lésbica de ambos, acaba de dar a luz a Gus, filho de Bryan, concebido por inseminação artificial.

Bryan, diante da vista iluminada de toda Pittsburg acende um cigarro e questiona Michael por não tê-lo impedido de ir adiante com a história de ter um filho. Michael rebate, afirmando que tentaram sim impedi-lo, porém os apelos de Lindsay foram mais convincentes, fazendo-o ceder. Ouve-se os primeiros acordes de "Proud", música desconhecida pra mim até então, na voz de Heather Small, cantora que também não conhecia, mas que me deixa arrepiado por inteiro. Na sequencia, Bryan sempre sarcástico dramatiza a situação e sobe na mureta do terraço, ameaçando se jogar se Michael não puxá-lo. Nervoso, Michael pede que ele desça e pare com a brincadeira. Bryan puxa-o pela mão e o convida pra voar, como os super-heróis das histórias em quadrinhos das quais ele é fã, abraça-o por trás com força e diz que é o super-homem que vai levá-lo pra sobrevoar o mundo e Michael pergunta em tom divertido por que ele tem sempre que ser a Lois Lane. Em seguida vira-se de frente para o amigo, beija-o e parabeniza por ser pai.

Após essa cena, que me fisgou de vez, seguiram-se 83 episódios que tomaram conta das minhas madrugadas insones por três inesquecíveis meses. Todos aqueles personagens tão humanos e marcantes fizeram parte da minha vida e continuarão por muito tempo em minhas ternas lembranças. Bryan, Justin, Michael, Ben, Emmett, Ted, Melanie, Lindsay, Debbie e companhia tornaram-se como amigos íntimos. Como não se envolver com personagens tão carismáticos e histórias tão tocantes? Como não chorar, como não sofrer, não sorrir, não se revoltar, não torcer, não vibrar, não parar pra pensar, não sentir, como não se identificar?

Eu me identifiquei, senti, vivi todas a sensações que essa série pode proporcionar. Me vi um pouco em cada personagem, alguns num grau maior que em outros, mas nunca distante por completo de algum deles. De algum drama ou emoção nunca fiquei completamente imune, por mais banal que pudesse parecer.

As vezes me via tão doce e equilibrado quanto Michael, carregando sua eterna paixão platônica por Bryan, o amigo garanhão. Me derretia por seu olhar de ternura. Mas também me identificava com alguns traços da personalidade de Ted e Emmett. A insegurança do primeiro, sempre em busca de um relacionamento, porém tolhido por sua baixa auto-estima. E a atitude do segundo, sempre vivaz, criativo, impondo sua personalidade meiga e delicada com firmeza e veemência, nem aí pra opinião alheia. 

Apesar de bem distante da personalidade de Bryan, me emocionava perceber a lealdade com que tratava os amigos, sempre procurando ajudar de alguma forma, mesmo tentando transparecer nenhuma preocupação com ninguém. No fim era sempre ele o solucionador dos maiores problemas, tornando-o o grande herói da história e redimindo-o de muitas falhas. Promíscuo, hedonista, insensível, cafajeste.

Justin, um pequeno notável, lindo, talentoso, apaixonado e cheio de coragem. Muitas vezes desnecessariamente agressivo, principalmente com a mãe, a compreensiva Jennifer. Os momentos de que mais gostava é quando ele demonstrava não viver só pra Bryan e distribuía atenção e gestos de carinho aos amigos, o que o tornava diferente do homem que amava e por isso um oposto interessante para o senhor Kinney, o complemento perfeito.

   

E que dizer das mulheres? Quem não queria ter uma Debbie Novotny por perto, como mãe, amiga, vizinha, tia ou simplesmente a atendente da lanchonete? Com seu jeito estriônico e extravagante, por muitas vezes enlouquecedor, mas sempre amável, alegre, otimista, transparente e acolhedora, lutando pelos direitos daqueles a quem ama e até pelos que não conhece? Eu queria.

Quem não queria ter uma mãe doce, afetuosa e compreensiva? Que mesmo assustada e sem entender direito a sexualidade e atitudes do filho adolescente, que começa a se descobrir homossexual, se tornando arredio e agressivo, tenta manter a serenidade e apoiar o filho em seu novo e tortuoso caminho. Quem não queria uma mãe como Jennifer? Eu queria.

Amigas como Lindsay e Mellanie, um casal sólido e seguro, mães de família, responsáveis, apaixonadas, politizadas, refinadas e generosas. Quem não queria amigas assim? Eu queria.

E como não citar a querida Daphne, uma fofa. Amadureceu com o amigo Justin. De garota feinha que perdeu a virgindade com o amigo gay e até se apaixonou por ele, tornou-se uma linda mulher, sempre presente e apoiando-o nos momentos mais importantes. Eu queria uma Daphne pra mim também.

Das cenas e situações mais marcantes é impossível citar todas, mas a dança de Bryan e Justin em sua festa de formatura foi demais, uma cena que sonhei protagonizar em toda minha vida e nunca houve, pelo menos até agora. As interpretações, a trilha sonora, a echarpe de seda branca, meu coração palpitando de emoção, foi tudo perfeito!


A festa de aniversário surpresa que Bryan dá a Michael, convidando uma colega de trabalho dele que acreditava que ele fosse hétero, apenas para desmascará-lo na frente dela, com o intuito de magoá-lo e fazê-lo se afastar de si, após pedido de Debbie para que o deixasse ser feliz com David, o então namorado. Uma atitude bem ao estilo Bryan de ser.

Dois momentos marcantes com Emmett e George, o namorado idoso do primeiro: um, quando Em leva seu "coroa" milionário a Babyllon e o apresenta aos demais amigos. Momento em que George mostra toda a sabedoria de um homem vivido e surpreende os rapazes, que já começavam a fazer comentários debochados, cativando-os. Dois, o ataque do coração de George, causando sua morte, após sexo com Emmett no banheiro de um avião.

Ben revelando a Michael que tem aids minutos antes da primeira transa, que não acontece.

Michael descobrindo ser alvo da paixão platônica de Ted, após remexer em suas coisas e encontrar fotos suas.

Bryan contando ao pai que é gay, e depois disso o velho vai visitá-lo e por acaso conhece o neto. 

David e Michael refazendo a cena de "A dama e o vagabundo", em jantar na casa de Debbie, onde os dois vão sugando um fio de espaguete até unirem seus lábios em um beijo.

Todos os amigos unindo-se para juntar dinheiro com a intenção de ajudar Bryan, que vendeu quase tudo que tinha de valor pra pagar uma campanha publicitária que derrubasse o candidato a prefeito homofóbico que ele mesmo ajudou a se candidatar com grande margem de votos. Cena linda e emocionante, onde todos os amigos contribuíram para retribuir ao cara que sempre se sacrifica pelos outros sem deixá-los saber.

Justin escolhendo ficar com Ethan e abandonando Bryan.

Debbie esbofeteando Bryan no velório de Vic.

Bryan contando a Debbie que tem câncer.

Bryan superando as limitações físicas de sua doença e chegando do Canadá a Pittsburg sozinho de bicicleta, apenas com o apoio moral de Michael, sendo recebido por Ben, Debbie e Justin.

A casa de caridade homenageando Vic Grassi, rebatizando-a com seu nome, mais uma obra de Bryan. 

Quando Bryan diz "eu te amo" para Justin.

Quando Bryan pede Justin em casamento e mostra a casa que ele comprou pros dois viverem no campo.

Ted confidenciando a Emmett em seu aniversário de 39 anos, que não desejará mais um namorado ou companheiro ao apagar as velas do bolo, porque enquanto ele procurar a pessoa nunca aparecerá e se a pessoa especial nunca aparecer ele ficará bem.

E finalmente a derradeira cena de Bryan dançando no "queijo' da babyllon, sozinho, sem justin, mais uma vez ao som da vibrante e perfeita "Proud". 

Chorei e ainda choro, por todas as lições que aprendi com Queer As Folk. Choro porque reflito cada dia que acordo pra uma nova vida, em cada pensamento, cada palavra, cada emoção que essa série provoca na gente. Choro porque ainda estou digerindo esse mar de sentimentos. Choro porque fui arrebatado. Choro porque amei. Porque me entreguei. Choro porque amadureci, assim como Bryan, e amadurecer dói. Choro porque Queer As Folk é vida. A vida como ela é...