quarta-feira, 11 de agosto de 2010

NÃO É UMA HISTÓRIA DE AMOR?


O filme 500 DIAS COM ELA começa com o seguinte aviso: "Esta não é uma história de amor." Afirmação da qual discordo completamente.


O filme narra a relação nada convencional entre Tom e Summer. Os dois são jovens, bonitos e cheios de vida. Tom se apaixona perdidamente por Summer, Summer não se apaixona. Eles se envolvem, fazem amor, passam momentos especiais juntos. Mas o que para Tom é um romance arrebatador, para Summer não passa de uma agradável amizade colorida. E assim o filme apresenta-se como uma não história de amor, justamente pelo fato da mocinha não corresponder ao amor do rapaz, que sofre feito um condenado por não ter seu sentimento correspondido.


Eis aí uma grande contradição, pois o filme é sim uma história de amor. Uma triste e aflitiva história de amor não correspondido, uma via de mão única, como são todos os amores não correspondidos.


É a história do amor de Tom, um amor forte, puro, sincero, doloroso, marcante e não recíproco, como tantos amores que sentimos pela vida à fora.


É injusto dizer a alguém que amou profundamente outra pessoa, que ela não viveu uma história de amor porque a outra pessoa não a amava. Histórias de amor não são necessáriamente aquelas vividas por duas pessoas que se amam com a mesma intensidade. Histórias de amor não podem ser rotuladas.


Tudo isso é pra dizer que já faz um tempo que assisti esse filme e o equívocado aviso inicial me deixou contrariado, pois tenho uma extensa lista de amores platônicos e vivi todos eles com toda a intensidade que cada um merecia. Amores que me fizeram chorar, sonhar, suspirar, que me inspiraram, que fizeram meu coração pulsar mais acelerado, que me fizeram tremer, me deixaram com borboletas no estômago e me tornaram mais humano.


Não me relacionei fisicamente com muitas pessoas, mas posso afirmar sem hesitação que não amei todos os que beijei e não beijei todos os que amei. Diferente de Tom que ainda se perdeu em gozos nos braços de sua amada, nenhum de meus avassaladores amores foi consumado, e por isso, talvez, tenha sofrido menos que ele, ou será o contrário?


Não importa. O importante em toda essa história, é que nós, os que amamos sem ser amados, que não tivemos nossos amores correspondidos, que afundamos a cara no travesseiro em prantos ouvindo MPB e sofremos o diabo, não podemos ter nossas histórias de amor menosprezadas.


No final das contas, ao menos a contraditória sentença no início do filme rendeu um post que não haveria se a frase fosse mais coerente, como: "Esta é uma história de amor não correspondido." Mas talvez o filme perdesse boa parte de seu charme. Enfim, divagações, mas se você ainda não viu o filme já sabe, talvez deteste a linda mocinha, pode achá-la uma boa bisca ou uma grandissíssima filha-da-puta, mas com certeza vai se identificar horrores porque amor não correspondido não há quem não tenha sentido.

2 comentários:

Ricardo Thadeu disse...

Talvez o uso da frase: "Esta é uma história de amor não correspondido" tenha como objetivo criar uma atmosfera paradoxal. Mas não se pode dizer muito do Marc Webb, diretor do filme, já que ele é um estreante.
Enfim, sua crítica foi cabível e muito bem escrita. Parabéns.

¡adiós!

Giullianne Vicente disse...

Esdras
Assisti o filme e ate escrevi sobre ele no meu blog, adorei seu texto e quem ja nao viveu um amor nao correspondido?
Gostei muito do blog tambem, vou aparecer outras vezes...

bjs