quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

DOIS LIVROS E UM FILME


Quinta-feira passada comprei 2 livros. O primeiro: O pau, lançamento inédito de Fernanda Young, acabei de ler. O outro, um clássico da literatura inglesa do magnífico Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray, comecei a saborear ontem, bem devagar, como se saboreia uma fruta madura arrancada do pé, lentamente e com muita vontade. Apesar das poucas páginas já lidas, estou com uma leve impressão de que esse livro entrará para o rol dos meus preferidos, mas falarei dele somente depois de finalizá-lo. Agora quero falar sobre O pau.

O mais novo lançamento da abusada e inteligentíssima Fernanda Young, logo após sair na capa e no recheio da playboy, não poderia ser num momento mais propício. Esperta que só ela, Fernanda aproveitou seu ensaio nu para lançar sua mais nova obra. O pau como o própria título já sugere abertamente, gira basicamente em torno dele, o órgão sexual masculino, mas fala basicamente também sobre vingança. Vingança feminina, o que é muito pior.

A playboy de Fernanda não foi lá essas coisas, eu particularmente não gostei muito e ouvi críticas horrendas, mas, dizem, foi uma das mais vendidas do ano. Se o livro será campeão de vendagem por aqui não sei, creio sinceramente que não, afinal de contas Fernanda Young não é e tomara Deus, espero nunca seja, uma unanimidade como personalidade e muito menos literária, eu gostando e mais uma meia dúzia já basta. Mas o livro é divertido sim.

Sempre tive vontade de ler um livro dela - A sombra de vossas asas, Dores do amor romântico, Tudo o que você não soube - mas por descobrir seus livros sempre depois de esgotados nunca tive a chance de lê-los, ainda assim acredito que O pau seja de longe seu livro mais leve, apesar do humor negro sempre presente.

Lendo O pau, consegui identificar nitidamente a autora de Os normais e tantas outras séries de humor hilárias escritas por ela e o marido Alexandre Machado (Os aspones, Minha nada mole vida, O sistema). Tem até uma passagem no livro que é muito parecida com uma cena de Os normais-o filme.

No livro, Fernanda narra a história de uma rápida porém exaustiva e terrível vingança da protagonista Adriana contra o namorado, 14 anos mais jovem que a trai com uma ninfeta.Usando de muito sangue frio e uma grande erudição o objetivo de Adriana é deixar o pobre e infiel namorado brocha pelo resto da vida, para isso ela discorre minuciosamente sobre todas as técnicas psicológicas que irá usar ao longo de sua diabólica e torturante vingança.

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Segunda-feira fui assistir ao filme brasileiro tão comentado e aguardado pela bicharada, Do começo ao fim, só não foi uma decepção total porque entrei no cinema completamente consciente de que assistiria a um filme raso, sem nenhuma grande atuação muito menos profundidade.

Por se tratar do romance homossexual entre dois irmãos carnais que são criados juntos desde crianças, esperava-se, não só eu como 99% do público interessado, uma história forte, poderosa, com um mínimo de profundidade, mas não é o que se vê na telona. O nível de conflitos entre os protagonistas e seus familiares diante de tal horror é zero. Apesar dos atores fantásticos como Júlia Lemmertz, Fábio Assunção e Louise Cardoso, os personagens são todos apáticos. Os protagonistas Francisco e Thomas não se questionam em nenhum momento sobre a relação incestuosa que vivem, a única preocupação deles é não se separarem nunca.

Os rapazes João Gabriel Vasconcelos e Rafael Cardoso, Francisco e Thomas respectivamente, são lindos e sarados, desfilam pela tela sem nenhum pudor beijos ardentes, carícias e muito nu frontal, o que não me deixa nenhuma dúvida que o diretor Aluísio Abranches fez apenas mais um filme gay e usou a historinha do incesto somente para atrair bilheteria. Para as bibinhas mais românticas assim como eu, o filme é um prato cheio pra se ficar suspirando e sonhando com um amor lindo como o de Francisco e Tomtom, só esqueçam esse negócio de incesto, assim como eu fiz - o que não é difícil, já que o tema mal é citado durante o filme e Fábio Assunção como o pai de um dos garotos parece achar tudo lindo, confraternizando com os dois em almoços felizes e bate-papos pelo msn - por que esse troço é indigesto.

No mais, só queria falar um pouco sobre a atuação dos protagonistas. O jovem, novato e liiiiiiiiiindo ator João Gabriel Vasconcelos é o único que parece se entregar ao papel na pele do irmão mais velho. João Gabriel passa a emoção de verdade apenas no olhar pela angústia de ficar longe de seu Tomtom, enquanto que Rafael, rosto um pouco mais conhecido pela novela Beleza pura na qual atuou em 2008 e a atual Cinquentinha, minissérie exibida pela globo em que vive um polêmico caso com a personagem de Marília Gabriela, não convence no papel do apaixonado e frágil Thomas. O pequeno Gabriel Kauffman que faz o personagem criança, se sai muito melhor e Lucas Cotrim (Francisco criança) também é ótimo e muito parecido com João Gabriel.

Enfim, não é um filme que eu recomendo, mas sei que assim como eu, muitos assistirão apenas por curiosidade e pra ver os gostosões se pegando, a esses: aproveitem, os corpos são um arraso!!!

4 comentários:

Nova Quahog disse...

QUERO TODOOOS!

MB Galvão disse...

Sabe o melhor de tudo! Você leu! E dizem que o brasileiro não lê... Você realmente deve ser exceção. Ótimo o blog...

Marcelo A. disse...

Salve, salve, Esdras!

Bom, eu tô curioso pra ver "Do Começo ao Fim". Não exatamente pra ver os dois rapazes se pegando, mas, porque, como você, pensei que a história teria seu foco na relação incestuosa. Pelo visto, o diretor perdeu uma ótima oportunidade de tocar num tema delicado e gerar uma ótima discussão. E eu que pensava que se tratava de um filme ousado...

Fernanda Young?! Gosto muito, muito dela. Não conheço seus livros - sei que é imperdoável - a conheço mais por sua carreira como roteirista de TV. Mas fica aqui anotada a dica. Se você gostou, sei que é bom...

Então tu é romântico?! Bem-vindo ao clube! Como diz o Wanderlee, "Românticos são loucos/ Desvairados/ Que querem ser o outro/ Que pensam que o outro é o paraíso..."

Abração, meu velho!

*** I.C *** ** The One ** disse...

Vamos como um Esquartejador... Por Partes... Depois de Acabar o livro do Augusto Cury vou comprar essa da Fernanda Young... voce me fez criar uma curuiosidade ao seu respeito e comentar rapidamente que a Fernanda Toung me surpreendeu na sua Playboy... Ela é uma Branquela muito gata da qual eu me sentiria bem em fazer amor com ela... E esse file homossexual... Não curto muito o genero... Sei lá... Acho que é cliche o que alguns diretores fazem com a imagem homossexual apenas para conseguir platéia... Já que não era um voluntário a assistir... E vc disse que não aconselha... Economizei o Din do Cinema... Abraço e Sucesso com o seu Blog