sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

ENTRE BOLHAS DE SABÃO


Tem dias que parecem predestinados a ser tristes, de uma tristeza quente, abafada, pegajosa. São dias cinzas que grudam na gente e nos envolvem irremediavelmente. Esses dias geralmente sucedem uma noite cheia de expectativas e possibilidades, noites regadas a muita bebida, música, dança, beijos e gargalhadas, noites imersas em uma alegria contagiante.
Essas noites em que fazemos tudo em nome da felicidade absoluta ocorrem sempre aos sábados, como diz a letra de uma música "...todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite, bem no fundo todo mundo quer zoar...". Consequentemente os dias tristes são aqueles domingos que todos conhecem muito bem. Deseja-se ardentemente que o brilho das ilusões da noite passada transceda o nascer do sol e nos acompanhe por mais algumas horas, pelo menos aquelas longas horas de domingo, mas raramente isso acontece. O domingo nos massacra, machuca, pune, como se fosse um pecado mto grave desejar que os momentos de ilusão e sedução escura ultrapassem e se tornem reais a luz clara de um dia de domingo. Então vaga-se infeliz por esse dia triste torcendo pra que ele passe rápido e nos traga de novo a segunda-feira repleta de esperanças que no próximo sábado tudo será diferente. Aí espera-se ansiosamente pra que se possa experimentar de novo aquela felicidade intensa e voluptuosa, pq ela existe sim, mesmo fugáz e passageira, e ainda assim a desejamos tanto, mas há que se estar preparado para o domingo que a sucederá, e como por mais que saibamos as consequencias é sempre inevitável q soframos com o vazio desses dias tristes aconselho que façam como eu.
Dia desses (um domingo lógicamente), decidi dar uma caminhada num parque perto de casa, precisava respirar um pouco de ar fresco, e logo no início do passeio aquela tristeza da qual falei antes começou a me envolver com sua quentura abafada e pegajosa, me sentia infeliz, angustiado, a pior das criaturas, quando ñ mais que de repente meu caminho foi invadido por coloridas, lindas e brilhantes bolhas de sabão que flutuavam em minha direção. Aquele momento tão simples e delicado elevou meu espírito de tal forma que a tristeza que sentia converteu-se em uma tristeza doce, suave e serena, aquele tipo de tristeza q você sabe que vai passar, assim como a felicidade, assim como tudo na vida passa porque nada é eterno. E lembrei da minha infância, de como me encantavam as tais bolhas de sabão, de como tudo era puro e leve e tinha um sabor especial. Quando percebi a nostalgia já havia tomado conta de mim completamente e pude entender com clareza que a vida eh mesmo assim, feito bolhas de sabão que são brilhantes, coloridas e fascinantes mas duram apenas poucos segundos até que se evaporam no ar, fazendo-se necessários novos sopros pra que mais bolhas surjam encantadoras, bem como nossos momentos de felicidade que precisam ser forjados e provocados pra que o encantamento da vida não se acabe por completo.

3 comentários:

eroticromanticvaniamara disse...

Esdras eu não sei nem o que dizer diante de tanta sensibilidade e romantismo, você me encanta com este seu jeito de adoçar até mesmo os momentos que a gente percebe que pela sua forma de expressar não são os melhores. Eu sempre disse a você que viajo nos seus textos não é mesmo? E desta vez não foi diferente. Bolhas de sabão, infância. A vida pode ser muito diferente para tanta gente, no entanto os sentimentos, são sempre tão parecidos, principalmente quando se manifesta a própria vida neles. E é isto que sinto hoje com as suas bolhas de sabão...O tempo das bolhas??? O que importa Esdras, o que vai ficar mesmo ,é o brilho delas na memória....e este ninguém, nem mesmo o tempo pode apagar!erot

ok disse...

Amigo...SIMPLESMENTE lindo...Acredite neste sonho que tens e vá à luta.Tenho certeza que terá sucesso! e conte comigo se precisar.

Nao preciso dizer que os textos sao muuuuito bens escritos e com conteúdos tocantes.

PARABÉNS...Voce já é sucesso!

Beijo e abraço do amigo JOAO JUNIOR (ou como tu me chama "justmariah")

Bruna disse...

pra variar me identifiquei mto
adoro o teu jeito melancólico e tocante de escrever... porque toca mesmo!
Continua sempre escrevendo esdras... tanta inspiração não é por acaso...
bjusssss
saudade sempre