sexta-feira, 7 de maio de 2010

ESSA TAL FELICIDADE

"A felicidade não existe, mas um dia acaba." (Danuza Leão)





Como diria Tim Maia, já rodei todo esse mundo procurando encontrar...

Procurei de todas as formas, em todos os lugares, em dezenas de pessoas, dentro de mim, mas a tal felicidade quando aparecia escapava rápido demais.

Cansado da interminável e frustrante procura pela permanente felicidade, resolvi esquecer, desencanar, parar de garimpar essa sensação de bem-estar e realização pessoal plena que todos buscam e almejam tão obstinadamente.

Fiz então, uma retirada estratégica do mundo insano, que me obrigava a encontrar a felicidade à qualquer custo, e mergulhei na simplicidade de um lugar pacato, pequeno e silencioso, onde não tem quase nada, mas tem o mar, a areia branca, as garças e as gaivotas que sobrevoam sobre mim enquanto descubro, observando o vai e vem das ondas mansas, que interromper as buscas, parar de querer encontrar a felicidade, pode ser a chave para tê-la. O desprendimento, não precisar da felicidade para ser feliz, essa é a verdadeira plenitude afinal.

Abaixo um texto de Martha Medeiros, uma visão poética e libertadora dessa tal felicidade:




FELIZ POR NADA

Geralmente quando uma pessoa exclama "Estou tão feliz!", é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. "Faça isso, faça aquilo". A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando "realizado", também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar a sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir?
A vida não é um quastionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato preferido, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.

6 comentários:

Fábio Flora disse...

Já tinha lido esse texto da Martha. Adoro seus textos. Mas não gosto do filme "SImplesmente feliz". A protagonista é chaaaata... Abraços e sucesso com o blog!

Mónica disse...

Blog engraçado :D Parabéns
Se quiser apareça no meu http://movinica.blogspot.com

Cristiano Contreiras disse...

Caro,

além de um espaço de variedades, eu gostei da proposta e estive atento ao seu blog desde de ontem.

parabéns mesmo!

te sigo

e ah, poste mais sobre seus filmes de cabeceira! até

Lauren Liane disse...

querido!!! adorei teu texto!!! pra variar!!! e eu estou feliz!! simplismente feliz!!! eh bom ler isso e se lembrar que a vida eh muito mais e vai muito mais alem!!
saudades das nossas conversas, risadas, do teu carinho, do teu humor, da tua alegria!!!
bjocas!!!!

Millena Blogueira disse...

Minha primeira vez no seu blog e gostei muito!
Tudo tem prazo de validade e na vida não seria diferente!
Sucesso com o blog!

Marcelo A. disse...

Essa semana, a Martha esteve num evento aqui no Rio e lembrei muito de você. Hoje, por coincidência, passei aqui pra reler o "meu velho amigo" Esdras e encontro mais uma vez um texto dela. E sobre um tema tão corriqueiro - não no sentido de simplório, mas no sentido de ser algo que a gente vive buscando, né? Adorei, de verdade.

Ei, estamos de mal? Sumiu do Diz...

=(

Abração!