sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A BAILARINA ENVIDRAÇADA E O MALABARISTA PRATEADO

Eram de mundos completamente opostos. Íngrid, no alto de seus 15 anos era dona de uma pele tão alva que se ñ fosse seus lisos cabelos castanhos claro até os ombros e os olhos profundamente negros, passaria despercebida pelos outros tamanha a brancura de sua tez, quase transparente. Zé Luís tinha um ano a mais, 16. Loiro, de olhos azuis, era franzino, muito magro mesmo e tinha a pele bastante castigada pelo sol, o que o deixava com um tom meio rosado.
Os dois se viam todas as semanas, pelo menos 3 vezes, mas nunca trocaram palavra, apenas olhares de encantamento e admiração. Ela, uma exímia bailarina, filha de pais mto ricos, nascida em berço de ouro, cercada de todo mimo e luxo que podia existir, super protegida ao extremo como se fosse uma boneca de louça. O motorista levava e buscava-a em todos os lugares, inclusive ás aulas de ballet, todas as segundas, quartas e sextas. A escola ficava num prédio todo envidraçado e altíssimo, as aulas eram no terceiro andar e dali Íngrid tinha uma visão panorâmica de toda a movimentada rua.
Ele, nasceu e se criou em meio a toda a marginalidade de uma das favelas mais perigosas da cidade e começou a ser explorado pelos pais desde mto pequeno. Depois de algum tempo oferecendo balas e doces nos sinais de trânsito, decidiu aprender algo q realmente pudesse chamar a atenção das pessoas, assim tornou-se um malabarista excepcional. Aos 11 anos engrossava a renda da família com seus belíssimos malabares e atualmente havia incrementado sua performance cobrindo a rosada pele com uma tinta prateada, dos pés a cabeça.
Num dia qualquer, enquanto olhava distraída através da vidraça, Íngrid reparou em um brilho q ofuscava sua visão com movimentos ágeis e sincronizados, colocou uma das mãos sob a testa pra tapar o reflexo do sol e conseguir enxergar melhor. Naquele dia descobriu o malabarista prateado, ficou dispersa por alguns minutos admirando a dança brilhante q o malabarista fazia com as mãos e os braços de uma forma quase mágica.
Foi tbm num dia comum como tantos outros que Zé Luís ficou paralisado ao reparar na beleza delicada e graciosa da bailarina envidraçada, sua roupa tinha um tom de rosa esmaecido profundamente agradável e seu corpo fino parecia uma pluma levada por uma brisa suave de um lado para o outro em passos q ele ñ entendia, mas q amava observar á distância como um telespectador secreto e encantado.
Essa admiração mútua, distante e silenciosa durou alguns meses. Íngrid começava então a sentir uma enorme vontade de chegar perto, de falar e tocar no malabarista prateado. Zé Luís tbm passava a sentir a mesma necessidade, de ouvir a voz, sentir o perfume e o toque de sua bailarina envidraçado. Demorou pouco pra entenderem q estavam sentindo pela primeira vez, o amor, e embora mto jovens, entendiam tbm q existia um abismo imenso entre eles e pela pouca idade q tinham era um abismo quase intransponível, pois ñ eram fortes o suficientes para brigar por esse amor e além do mais quem disse q o sentimento q nutriam era recíproco?
Íngrid passou a acreditar q parecia boba, infantil, fútil e mimada demais aos olhos do malabarista prateado, pois ele era tão independente, trabalhador, forte, esperto e devia achá-la uma dondaca inútil. Zé Luís pensava ser tão insignificante perante tudo o que sua bailarina envidraçada representava: luxo, elegância, inteligência, beleza, uma verdadeira princesa, q jamais ousaria imaginar q algum dia ela o veria com outros olhos.
E assim, mesmo completamente apaixonados, Íngrid e Zé Luís sucumbiram aos preconceitos sociais e silenciaram ao primeiro amor q sentiram na vida, ñ descobriram nem seus nomes e qdo recordam o passado lembram apenas q amaram uma bailarina envidraçada e um malabarista prateado.

Um comentário:

Confraria Harmakis disse...

Oi Esdras li agora e acho que deveria desenvolver mais seu texto assim está muito incompleto...seria algo comum o rapaz pobre e a moça rica...todos adoram mas o que chama atenção é como isso ocorreu ainda mais ela uma adolescente de 15 anos,com quem se expressou sobre o rapaz e ele as 16 era malabarista por necessidade...esreva mais ok?!